Monday, October 20, 2008

O COLAPSO DUM VERÃO

CRÓNICA 60 
 

O COLAPSO DE UM VERÃO

 

Ferraz da Silva

 

Este ano termal é para esquecer. Concessionária, Câmara e Freguesia deixaram o Luso ao abandono e a época balnear arrasta-se dolente e fraca. Vai acabar a contento dos autarcas que tudo fizeram para que isto acontecesse por não possuírem capacidade nem vontade e muito menos respeito pelas pessoas que, tal como eles, não recebem o dinheiro ao fim de todos os meses quer faça chuva ou sol mas, pelo contrário, tem que lutar arduamente pelo seu ganho e pelo satisfazer dos seus compromissos.

Um amigo meu aconselhou-me há dias a não escrever, não me meter mais nisto, a não criticar mais, a calar-me e deixar correr o marfim. Para não me chatear! Escutei-o mas não concordei. Pelo contrário, julgo que ao cidadão cabe um papel importante no contributo que possa dar no sentido de questionar, criticar ou participar numa democratização da democracia que neste momento não existe, já que o momento eleitoral se transformou num momento de enganos que tem por fim a tomada do poder e não o serviço a prestar á sociedade que dizem pretender servir.

Faço-o com os meios que melhor sei utilizar e faço-o porque aqui nasci, aqui vivo, aqui, quem sabe, hei-de ficar. Mas também pelo município, que me merece preocupação e respeito. Julgo que é exactamente por estar demasiado calado que o Luso e outras freguesias, não obtêm benefícios como deviam da Câmara, no caso concreto em apreço, o turismo que está em colapso.

Porque faz parte administrativa dum concelho que não entende, não quer entender o que é a freguesia do Luso em termos de potencialidades na sua actividade principal e quase única, que é essa, a turística, a hotelaria, a restauração. Nem a autarquia Junta de Freguesia, constituída pelos maiores idiotas (políticos entenda-se) do concelho, que não possui capacidade nem conhecimento para forçar uma estratégia de melhoramentos constantes, no sentido de trazer alguma coisa para a actividade e consequentemente para as pessoas que ainda vão sobrevivendo na terra a lutar contra a corrente por uma causa que se está praticamente a perder.

Á Câmara da Mealhada assaco, como tenho sempre assacado, a maior responsabilização no que ás termas diz respeito e um novo exemplo dessa total irresponsabilidade está na obra da remodelação da fonte, mas não da zona central da vila como era necessário. Ao ter optado por obras absurdas que não servem a ninguém e ao encaixotar a fonte em granito, pedra que não sendo da região, não tem grande cabimento, a câmara da Mealhada mais não faz que deitar dinheiro ao ar, mantendo o problema da zona central da vila. Pode alguém receber comissões da compra da pedra, pode-se perguntar, mas a verdade é que engranitaram uma fonte que, feita na presidência de Emidio Maranha, talvez fosse a mais conseguida das remodelações por que tem passado.

O conteúdo do projecto inicial apontava concretamente para a chamada quinta do Alberto e isso foi desenhado e apresentado em ante projecto e era de facto aquilo que o Luso precisava e precisa, mas, por questões umbilicais da câmara ou do seu presidente e também porque deixou de existir um vereador do Luso, facto derivado da mesma ignorância politica da junta de freguesia, o projecto foi alterado para a pior solução. Para agravar a situação, com uma total falta de sensibilidade e respeito para com a mesma freguesia, programaram tudo para o verão, época em que as pessoas do Luso têm possibilidade de ganhar o seu dinheiro.

Nada me admira desta Câmara, já que também a própria Mealhada costuma ser objecto dos seus congestionamentos gástricos, quer nos conflitos que não sabe resolver com os festejos carnavalescos, criando-os, quer no caso dessa excelente obra que é o Hospital da Misericórdia que tanta discussão deu por oposição autárquica, quer ainda nos arranjos do campo de futebol pagos com as promessas dum segundo estádio de futebol para a Pampilhosa. Tudo isto é ridículo e em tudo isto impera a falta de sentido do poder público e falta de equilíbrio, discernimento e capacidade.

Já o caso da actuação da Junta de Freguesia do Luso é diferente, não pode agir em directo porque não tem orçamento nem competências para obras de grande porte, mas pode e deve pressionar de forma consciente e constante a Câmara e os próprios organismos do Estado, no sentido de conseguir trazer á localidade algumas mais valias. O que não faz.

Mas foi o que aconteceu com o pavilhão, o parque de campismo, ou o centro de estágios, não por pressões da Junta de Freguesia que em vinte e cinco anos que tive de assembleia municipal nunca ouvi o seu presidente dizer fosse o que fosse, mas por outras vias e outros órgãos que felizmente conseguiram levar a sua avante e fazer dotar o Luso e simultaneamente o turismo, dessas estruturas. E poderíamos falar duma pousada de juventude, dum museu de hotelaria onde se guardassem as antiguidades do Luso e do Buçaco, dum campo de golf (já existiu um na cruz alta) , dum ordenamento da fonte de S. João , capaz de acabar  com a linha de engarrafamento que é vergonhosa para as termas, de pensar numa entrada com dignidade para a  vila , para não repetir a barragem , o spa , ou um arranjo decente da avenida do castanheiro que envergonha os autarcas locais.

A Junta de freguesia, mercê do acordo firmado há cerca de quinze anos entre a Câmara e a concessionária das águas, no mandato de Rui Marqueiro, recebe anualmente uma verba de dez mil contos, hoje suponho que cerca de doze mil. Feitas as contas, terá recebido já cento e cinquenta mil contos. Pergunto: onde está uma obra no Luso que se veja e que corresponda á envergadura daquela verba???

Neste caso particular do Luso, quer Câmara quer Junta tem de mudar de mentalidade.

O Luso não precisa de cantoneiros de excelência, mas sim de gente nova, dinâmica, com responsabilidade e massa critica capaz de pegar de frente os problemas da terra e são muitos, e esforçar-se por os resolver acabando com esta rotina de mediocridade politica de palmadinhas e de brutalidade a que, adormecidos, vamos dando guarida. Sei que posso incomodar alguma gente ao dizer isto, mas nunca fui pessoa de meias palavras para me escusar a dizer duas verdades.

É que assim, por esta via, tenham a certeza, o Luso fica cada vez mais morto! O que é mau para todo o município!

Luso, Setembro, 2008        

Mealhadatemas.blog.com/lusotemas.blog.com             

 

 

 

Posted by peter in 13:03:17
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