FOSSO ENTRE RICOS E POBRES
Ferraz da Silva
O FOSSO ENTRE RICOS e POBRES
Poucos dias depois da confirmação europeia do nosso último lugar no ranking do que toca á justa distribuição da riqueza entre o cidadão ou ao fosso entre cada um, eis que vem á luz do dia mais um facto exemplar a ilustrar e justificar este permanente epíteto de sermos o país da comunidade onde as injustiças sociais são as maiores, onde o desequilíbrio entre ricos e pobres se mede permanentemente pela desonra do primeiro lugar. A comprovar esta classificação, como outras que nos envergonham á luz da civilização, cá está um relatório da IGF denunciando médicos avençados ao serviço do Exército a ‘limpar’ por mês ao erário público, quinze mil euros, mais ou menos o mesmo que o erário mais a iniciativa privada pagam por ano, regateando, a noventa por cento dos empregados deste país, a fazer fé nas estatísticas que aparecem nos jornais sobre as declarações de IRS e que não andarão, apesar da fuga possível, muito longe da verdade.
A coisa não é inédita, muito menos no mundo da medicina onde não raras vezes a febre de ganhar dinheiro ultrapassa largamente a condição ‘humanista’ da profissão e dá lugar ao negócio, apoiado na garantia duma classe onde os lobies não são poucos e a vida humana está em jogo. Mas não fica bem aos generais a chancela desta avença nem fica melhor aos médicos a indumentária ávida de agiotas da saúde que possuem. Outros exemplos há, como as chorudas reformas arranjadas a políticos terminais, as oportunas nomeações de clientelas, ou o preço de ouro pago a gestores e administradores vários que tem conduzido sucessivamente este país para limites irremediáveis, num movimento inverso aos rendimentos que auferem, que afastam cada vez mais o cidadão comum do da pequena elite que é a sua auto valorizada vanguarda esclarecida.
Como diria Gil Vicente, apenas para se governarem tem servido e cabe á fraqueza dos contribuintes sustentar toda a sorte de asneiras a que se tem entrementes entretido conduzindo este país, ao estado de agraciado com a ordem do maior fosso entre cada um dos seus dez milhões de habitantes. Não têm qualquer justificação os abismos retributivos existentes, senão no abuso de quem gere, na falta de respeito que nos devemos uns aos outros, na ausência de civismo, de ética e dum conceito honesto de comunidade lusíada com principio, meio e fins. Que nunca houve!
Além de não sabermos senão por presunção, quanta gente há nestas situações, não se fica a perceber a recente por exemplo e polémica despedida do Director de Finanças que, apesar ter boas referências no trabalho desenvolvido, acabou por deixar o barco por questões financeiras semelhantes. Não é que queira defender a situação, mas esse pelo menos, parece que embolsou dinheiro ao Estado, ainda que mesmo assim, dinheiro dos contribuintes. Curioso é que há dinheiro para umas coisas e não há para outras. A recente crise da Câmara de Lisboa, é bem demonstrativa de quem são os portugueses pagantes e os portugueses que recebem. Se a autarquia tem os cofres despejados e não tem ouro de seu que lhe venha dum Brasil, porque se enche de assessores? Porque compra carros novos para os novos vereadores? Porque gasta meio milhão de contos em luzes do próximo Natal? Serão os gestores ou seremos nós a pagar estas facturas???? E este é apenas um exemplo entre três centenas de autarquias sujeitas á mesma lei! O resto não é só imaginar ….!!!! (????) O que o pais precisa é de gestores de qualidade. Gente que procure a qualidade para todos, não apenas para eles em primeiro lugar, em segundo e em terceiro lugar. Com qualidade e seriedade!
Claro que vivemos sempre assim, é atávico este compromisso entre a arraia-miúda e o poder, uns e outros mais dados ao folclore duma aventura ou duma revolução de néscios que á construção dum país de gente como esta gente merece. Ou outra qualquer. Na monarquia, a trabalhar para a oca exploração de fidalgotes, baronetes e morgados consumiram-se oitocentos anos. Na República, de improviso em improviso somos os últimos numa Europa a vinte e tantos, muitos deles ruídos por guerras, perseguições, ditaduras e sem a benesse dum império esbanjador!
Esses que ensaiam ainda os primeiros passos dessa Europa prometida hão-de todos passar por nós enquanto, repetentes, maus alunos, continuamos a mendigar o pão alheio dos nossos benfeitores. Sem obra feita e sem vergonha. Ainda que venha esse ministro Sócrates apregoar que com computadores é que lá vamos! Educação, conhecimento, civismo e dignidade, acredito. Saber que há portugueses para lá do voto, também. Qualidade de gestores, ámen. Justiça social e seriedade de processos ainda mais. Mas tudo numa sopa a caminho do desemprego? Se já há licenciados a mais nas caixas dos supermercados para onde vão os novos doutorados em Word e em Excel?
PS- Exemplo acabado do mesmo rumo que segue a grei é a nova lei orgânica da GNR que prevê a existência de cinco generais nos seus quadros , agora vetada pelo Presidente da República. Não sei se esta nova lei é para português rir, mas já houve uma situação, no tempo da outra senhora, em que de facto o agora poder, então oposição, fazia bandeira de coisa semelhante. È que nós, portugueses, com uma corveta a cair de podre, tinhamos mais almirantes do que a França…! Mesmo que haja dinheiro para tantos generais, afinal para que são os computadores oferecidos pela tmn ???
Luso, Agosto, 2007 mealhadatemas.blog.com
Não gosto de criticar gostos!
Por isso, isto é apenas uma sugestão!
Diz respeito às cores do blog.
Para ser sincero, gosto muito de ler, principalmente noticias da minha terra, mas não consegui ler, pelo tamanho das fontes e principalmente pelas cores berrantes que as letras têm!
Um blog com fundo claro, e letras mais pequenas, concerteza iria atrair mais leitores.
(future-believer)
Mas continue, porque gosto muito das suas crónicas!