O PARQUE DO RETIRO EM MADRID
O PARQUE DO BOM RETIRO E O BUÇACO
O Parque do Bom Retiro no centro de Madrid tem mais treze hectares que a Mata Nacional do Buçaco. São exactamente 118 hectares de terreno plano, florestado e ajardinado num contexto urbano de centro de cidade contra os 105 hectares montanhosos do Buçaco, uma envolvência diferente de parque provinciano e distante de qualquer grande metrópole. Ali, na cidade, funciona não só como grande espaço de diversões, recreio, cultura, desporto, ou simplesmente descanso, mas igualmente como pulmão verde duma urbe que se tornou numa das maiores da Europa e que se desenvolve com uma velocidade estonteante. É um parque duma grande complexidade onde se misturam arvoredo, zonas floridas, campos de gazon, monumentos ou equipamentos vários de lazer, incluindo um enorme largo onde os madrilenos talvez ensaiem as primeiras remadas e onde se experimenta a sensação de viajar numa barca futurista inteiramente movida a energia solar. Um mundo!
Apesar do tamanho semelhante, é diferente a gestão que um e outro espaço exigem pois que um se destina a usufruto activo e imediato por parte dos habitantes que o utilizam com uma procura diária de milhares de cidadãos, outro resume-se a um parque mais botânico que outra coisa, um espaço de contemplação, sossego e sobretudo descanso a colmatar no absoluto tudo aquilo que falta diariamente a uma metrópole, ou seja, a tranquilidade e a privacidade ambiental. Pode dizer-se que um é para usar e deitar fora, outro para coleccionar de vez em quando ou, como dum copo de vinho se tratasse para os mais fundamentais, para amar de cada vez.Numa coisa porém me parecem os dois espaços parecidos e isso acontece quando se fala da criação, tratamento, manutenção ou reprodução do conteúdo botânico existente, ou seja, de todo o piso vegetal, seja qual for a característica de cada um deles. È preciso trata-los, ama-los, acarinha-los e aí, os gestores da coisa madrilena caminham a léguas de distância dos gestores da cerca do Buçaco, se é que existe esta figura na prática quotidiana da Mata Nacional e não se trata apenas de figura retórica para preencher quadros profissionais ou se nem sequer existe como já existiu no tempo dos meus avós .
Nesta coisa da coisa pública, parece que o Reino de Espanha a presa, ou trata, muito melhor que a República de Portugal, por isso talvez o Parque do Retiro tenha um orçamento que, por aquilo que se vê, sugere servir as necessidades do parque. Não só porque está limpo, asseado e tratado nos seus variados componentes, como se encontra dotado de pessoal e material próprios que se encontram facilmente nos seus locais de trabalhos quando o cidadão por ali procura, pacatamente, um pouco de descanso num banco de jardim ou atravessa a cidade de Atocha a Recoletos ou do Prado para Menendez Pelayo na azáfama diária. E é grátis a entrada e pedonal.
Isto faz-me recordar as crónicas promessas dos pseudo gestores do Buçaco. Não sei se já terá feito vinte anos de idade mas mais de dez anos tem com toda a certeza esta história da recuperação. Já por cá passaram deputados em campanhas eleitorais, directores gerais, secretários e sub-secretários, ministros e, que me lembre, dois Presidentes da República já visitaram o Buçaco em prol da sua recuperação. Uns com almoços, outros sem almoços, mas nada! Penso que está a chegar ao fim o prazo de apresentação duma nova promessa. Segundo algumas versões, já deveria ter acontecido, porém, como as vozes são diferentes de cada vez que se vai fazer alguma coisa para nada se fazer, aceita-se que até por engano haja troca de datas e que, nesta particular caso da Cerca do Buçaco, o prazo seja o último que se ouviu anunciar, o mês de Agosto. No último fim-de-semana tirei-me de cuidados e fui ver. Correr os 105 hectares. Poderiam ter começado em segredo, sabe-se lá …! Mas nada!
Encontrei os telhados de Santo Elias já no chão, como os de S. José ou das ermidas do Sepulcro. Na Cascata, já há um enchimento de garrafões e o Chalet do Palace que já foi recuperado há meia dúzia de anos, voltou a ruir. Foi levantado o muro em Santa Teresa , antes que tudo fosse parar á curva da ribeira, mas a fonte, sequinha, como estava, continua.
Não sei , não se sabe se os projectos , ao menos os projectos , saiem .Das cinco universidades , que ainda estamos nessa fase … Não sei, mas… se alguém convidasse o Rei de Espanha para uma visita de pedinchisse …??? Isso resultaria? Pelo sim pelo não, era mais um!!!! Luso Agosto 2007