Friday, August 31, 2007

O PARQUE DO RETIRO EM MADRID

CRÓNICAS LOCAIS-35 Ferraz da silva

 

O PARQUE DO BOM RETIRO  E O  BUÇACO

 

 O Parque do Bom Retiro no centro de Madrid tem mais treze hectares que a Mata Nacional do Buçaco. São exactamente 118 hectares de terreno plano, florestado e ajardinado num contexto urbano de centro de cidade contra os 105 hectares montanhosos do Buçaco, uma envolvência diferente de parque provinciano e distante de qualquer grande metrópole. Ali, na cidade, funciona não só como grande espaço de diversões, recreio, cultura, desporto, ou simplesmente descanso, mas igualmente como pulmão verde duma urbe que se tornou numa das maiores da Europa e que se desenvolve com uma velocidade estonteante. É um parque duma grande complexidade onde se misturam arvoredo, zonas floridas, campos de gazon, monumentos ou equipamentos vários de lazer, incluindo um enorme largo onde os madrilenos talvez ensaiem as primeiras remadas e onde se experimenta a sensação de viajar numa barca futurista inteiramente movida a energia solar. Um mundo!

Apesar do tamanho semelhante, é diferente a gestão que um e outro espaço exigem pois que um se destina a usufruto activo e imediato por parte dos habitantes que o utilizam com uma procura diária de milhares de cidadãos, outro resume-se a um parque mais botânico que outra coisa, um espaço de contemplação, sossego e sobretudo descanso a colmatar no absoluto tudo aquilo que falta diariamente a uma metrópole, ou seja, a tranquilidade e a privacidade ambiental. Pode dizer-se que um é para usar e deitar fora, outro para coleccionar de vez em quando ou, como dum copo de vinho se tratasse para os mais fundamentais, para amar de cada vez.Numa coisa porém me parecem os dois espaços parecidos e isso acontece quando se fala da criação, tratamento, manutenção ou reprodução do conteúdo botânico existente, ou seja, de todo o piso vegetal, seja qual for a característica de cada um deles. È preciso trata-los, ama-los, acarinha-los e aí, os gestores da coisa madrilena caminham a léguas de distância dos gestores da cerca do Buçaco, se é que existe esta figura na prática quotidiana da Mata Nacional e não se trata apenas de figura retórica para preencher quadros profissionais ou se nem sequer existe como já existiu no tempo dos meus avós .

Nesta coisa da coisa pública, parece que o Reino de Espanha a presa, ou trata, muito melhor que a República de Portugal, por isso talvez o Parque do Retiro tenha um orçamento que, por aquilo que se vê, sugere servir as necessidades do parque. Não só porque está limpo, asseado e tratado nos seus variados componentes, como se encontra dotado de pessoal e material próprios que se encontram facilmente nos seus locais de trabalhos quando o cidadão por ali procura, pacatamente, um pouco de descanso num banco de jardim ou atravessa a cidade de Atocha a Recoletos ou do Prado para Menendez Pelayo na azáfama diária.  E é grátis a entrada e pedonal.

Isto faz-me recordar as crónicas promessas dos pseudo gestores do Buçaco. Não sei se já terá feito vinte anos de idade mas mais de dez anos tem com toda a certeza esta história da recuperação. Já por cá passaram deputados em campanhas eleitorais, directores gerais, secretários e sub-secretários, ministros e, que me lembre, dois Presidentes da República já visitaram o Buçaco em prol da sua recuperação. Uns com almoços, outros sem almoços, mas nada! Penso que está a chegar ao fim o prazo de apresentação duma nova promessa. Segundo algumas versões, já deveria ter acontecido, porém, como as vozes são diferentes de cada vez que se vai fazer alguma coisa para nada se fazer, aceita-se que até por engano haja troca de datas e que, nesta particular caso da Cerca do Buçaco, o prazo seja o último que se ouviu anunciar, o mês de Agosto. No último fim-de-semana tirei-me de cuidados e fui ver. Correr os 105 hectares. Poderiam ter começado em segredo, sabe-se lá …! Mas nada!

Encontrei os telhados de Santo Elias já no chão, como os de S. José ou das ermidas do Sepulcro. Na Cascata, já há um enchimento de garrafões e o Chalet do Palace que já foi recuperado há meia dúzia de anos, voltou a ruir. Foi levantado o muro em Santa Teresa , antes que tudo fosse parar á curva da ribeira, mas a fonte, sequinha, como estava, continua.

Não sei , não se sabe se os projectos , ao menos os projectos , saiem .Das cinco universidades , que ainda estamos nessa fase … Não sei, mas… se alguém convidasse o Rei de Espanha para uma visita de pedinchisse …??? Isso resultaria? Pelo sim pelo não, era mais um!!!! Luso Agosto 2007

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Wednesday, August 22, 2007

MARAVILHAS DO MUNICIPIO DA MEALHADA

Crónicas Locais-34

Das Maravilhas do município da Mealhada

á queda anunciada das suas Termas

Ferraz da Silva

    Depois do património classificado que é a Mata do Buçaco ter sido completamente esquecido no controverso concurso das sete (?) maravilhas de Portugal sem um lamento ou um protesto da autarquia Câmara, eis que esta, inexplicavelmente, decide homenagear os espargidos a nível nacional, dando conta, na prática, da nula consideração e respeito que tem por aquilo que lhe pertence, neste caso, o Buçaco que, por direito próprio, poderia e deveria fazer parte do rol dos concorrentes. Não se mexeu uma palha para que isso acontecesse, como se viu, mas por que razão profunda se vem depois a fazer festas em prol dos que lá estiveram, é coisa surreal que muito menos se entende ou se justifica.

   Apesar das maravilhas desenterradas á posteriori pelo município para maravilhar em conjunto não se sabe quem nem o quê, serem de indiscutível valor, elas fazem parte do património gastronómico e não do património construído, são por isso efémeras, passageiras, consumíveis, únicas em cada momento da sua degustação e nada tem a ver com o Mosteiro de Alcobaça, Óbidos, Batalha ou Torre de Belém que são ou estão na calha, como deveria estar o Buçaco, para património da humanidade.

  Nesta matéria, outros municípios muito mais avisados, têm os processos da Unesco instruídos ou em fase de instrução e até em páginas da Internet se podem consultar e apreciar. Ou copiar. Na Mealhada, nada disso acontece, parou, morreu, não há ideias, não há diálogo, não há o jogo da democracia e a politica agoniza num cristalizar em sessões de Câmara estéreis, que a rotina de anos a mais na cadeira do poder tempera com os piores ingredientes.

   Entretanto os autarcas dos outros municípios, homenageados sem saberem porquê, agradeceram, claro, provaram o leitão que nós munícipes pagamos por intermédio dos eleitos e todos se banquetearam a contento com grande satisfação e alegria, presumo!

  Benefícios? Nenhuns, além da promessa dum regulamento e duma classificação ao velho estilo totalitário para impor o leitão camarário e medalhas atribuídas por uma comissão de honra de fácil adivinhação, perante as apostas continuadas das dezenas de empresas do leitão a retalho que já o produzem com muito boa qualidade, ou seja, com uma qualidade que o mercado reconhece e compra. Porque esta é a verdadeira bitola e a única medalha do leitão. Sem retórica nem aproveitamento politico…!

 Quanto á única maravilha capaz de se bater por alguma coisa no azarado concurso nacional, a Mata Nacional, nada. E de património da humanidade, nem sombra! É assim que se promove o turismo no município. Matando-o , já o tenho dito.

   Assim e com o silêncio comprometido ante o naufrágio anunciado das Termas do Luso; assim e com sobranceria da omissão, perante o fecho duma unidade hoteleira no acesso á auto-estrada que foi um investimento de centenas de milhares de contos no concelho; assim e com a inércia e incapacidade perante os cheiros pestilentos e atentatórios da saúde pública com que continua a ser molestado parte do território municipal.

   São actuações políticas sem ideias, sem criatividade, sem ambições e sem uma estratégia definida que parece comprometer e embaraçar o próprio partido que lhe serve de suporte.

   Porque também em relação a outros assuntos, como a zona industrial da Pedrulha, por exemplo, não se percebe como é que a Câmara de Cantanhede já instalou dezenas de empresas, enquanto durante os mesmos anos a Mealhada não conseguiu fazer o parque, ou a parte que lhe compete! Será que em Cantanhede é tudo mal feito, ilegal??? Esta doutrina, que fez fé durante algum tempo, já não pega, hão-de existir outros motivos que seria saudável e útil para o concelho investigar, discutir e conhecer. Além disso, os parques de Barrô e Barcouço? Para quando são????

  Como se propõe gastar milhões de contos em golf numa freguesia sem apetência turística, subtraindo a outras as razões e o dinheiro que podem justificar o investimento? Também aqui os munícipes deviam conhecer em pormenor a história dos interesses envolvidos, e como se chegou a esta aberrante solução e quem beneficia com ela.

 Por outro lado, como é que uma autarquia insensível e incapaz de lidar com questões como o Hospital da Misericórdia, o Carnaval da Mealhada ou a Agua do Luso, saindo sempre a público numa posição antipática, de alheamento, negativa, é prodigamente aberta a Câmaras alheias para promoções e festas???

  Aos políticos seria lógica e oportuna a aplicação do futuro estatuto do funcionário público, ou seja, sem produção não há sustento garantido. Nem reforma!!! Não sendo assim, que eles não querem, aos eleitores cabe o papel de sustentar os ossários de dinossauros extintos que teimam em medir o mundo por duas ou mais bitolas assente na deriva temperamental. Mas os dinossauros extinguiram-se e levaram com eles o pequeno mundo que era o seu. Não singrou….

  Por este andar, se o município não se sacode e não acorda do estado adormecido em que se encontra a tempo de retomar a via da clareza e do trabalho, bem pode encomendar aos seus gatos pingados a mesma urna com que se preparou irresponsavelmente a queda anunciada das suas famosas termas com, paradoxo, o gáudio de alguns!

http://lusotemas.blog.com/                              Luso, Agosto, 2006

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