AINDA UM SPA…
Ferraz da Silva
LUSO 2007, AINDA O SPA POR ÁGUA ABAIXO –II
Nasce no Luso, brota da Fonte de S. João, é livre, aberta, exageradamente franca no modo como se dá, é água. Mas é do Luso, é da autarquia Câmara, embora a Junta de Freguesia sempre lhe quisesse reivindicar a propriedade, o facto é que a Fonte de S. João é água demais para o tamanho da Junta e só o erário da Câmara pode, em boa verdade, alimentar as maltratadas bicas. A outra, a do olho de água quente que se diz ter curado há quase trezentos anos uma tal Ana de Anadia, essa, directamente do Estado ou por interposição da mesma autarquia, é concessionada e, com ela, essa outra que se vende por todo o lado com a etiquete da terra, tudo extraído por artesianismo das entranhas da terra do mesmo lençol que fracturas trazem em nascentes, á superfície do solo. Tem cinco mil anos, dizem, de Serra do Buçaco. Passou por diversos proprietários toda esta exploração, iniciada há cento e cinquenta anos pela Câmara da Mealhada sob o impulso de Costa Simões, talvez o mais insigne e ilustre homem destas terras, deste concelho.Anda baloiçando há anos entre a mão do capital sem rosto, sem nome, sem destinatário que assola este país e o seu destino e estratégias empresariais de rentabilização, modernização e cada vez mais venda. Uma espécie de prostituição pelo melhor preço sem limites de fronteira e de poder. Á boa maneira duma globalização á portuguesa.
Quando fez cento e cinquenta anos de idade ou de exploração, melhor dizendo, comemorados com alguma pompa e circunstância, viu-se sair da terra que a vê nascer, em direcção ao município antigo, a Vacariça ,onde também é engarrafa depois de cinco quilómetros de estrada e de viagem.Razões de ordem operacional e de aumento de produção, justificam a transferência mas o monstro do Luso onde se enchem vasilhas, continua. A Câmara, que é politica, vendeu-se por três tostões cada litro, está ressarcida, fez também o seu negócio. Talvez tenha feito bem mas não o suficiente. Quem perde com a troca, é a freguesia do Luso. Além da água, encanada até à Vacariça, foi-se a administração, os escritórios, praticamente a sede. Digam lá o que disserem!!!São escoceses, da Escócia, sabemos lá quem são! E muito menos eles saberão quem nós somos! Deixam morrer as termas, deixam morrer o Luso, só querem vender água! Ninguém os espevita, aos saxões! Ou nos enganamos muito, ou qualquer dia fecham os correios, os hotéis, (já há cinco pensões fechadas,) as bancas do mercado, etc. As Termas, não as fecham por causa dum contrato!!! Mas vão emagrecendo, diminuindo, morrendo…Até se duvida que tenham clientes. Só velhos, os antigos, muito antigos, diz-se… È triste ver o Luso de algum tempo e ver o Luso de agora! Assim, que futuro???
O casino, que era a sala de estar do Luso, é uma tasca, o Luso 2007, SPA prometido, uma ilusão. A Câmara da Mealhada, que não soube defender este SPA, de gato-pingado, faz o enterro. Não conheço nenhuma câmara municipal deste país que não lute, quando as tem, pela riqueza das suas termas. A da Mealhada, faz-lhe exéquias. Apesar da riqueza que lhe nasce no ventre, o Luso é terra pobre. O travesseiro dourado onde assenta a cabeça nunca foi sua propriedade e por isso sempre viveu na sombra e dependência da Sociedade das suas águas, das suas termas, foi sempre ela que lhe credibilizou os investimentos e lhe deu algum alento na ousadia dos desafios. Do Costa Simões ao Emídio Navarro e ao Messias Batista. Depois, entrou em decadência e chegará á ruína pois hoje, ao correr para os vizinhos, por meras lógicas de métodos de gestão, digamos que abandona o Luso, deixa o seu berço natural, suga-lhe o sangue para sermos mais exactos na nossa redacção. Por isso, deixou a meia dúzia de ingénuos responsáveis autárquicos a esperança de investir fortemente nos anos que viriam. O Luso 2007, era este o seu ano inaugural! O engano é a expressão mais fiel da bacoquice do costume. Nada de pasmar! Nada que não se pudesse adivinhar! A coisa era de prever. Se, como prometiam e já lá vão promessas duns e promessas doutros, iam fazer mais salas de congressos, um SPA tratamentos diversificados, quartos, restaurantes, jogos enfim, investir, porque deixavam o Luso com armas e bagagens transferindo até a sede para Vila Franca de Xira? Uns patetas duns políticos acreditaram naquilo! Três tostões dão sessenta mil contos por ano, mais uns trocados da passagem pelas vias municipais, fizeram contas, aproveitaram…
Para a freguesia do Luso o desprestígio é grande e o prejuízo, pelas promessas que ainda não se concretizaram é enorme. Para quem as ouviu prometer frente a frente, olhos nos olhos, como eu, a mentira. Eu e outros. Mudos e calados maioritariamente, depois de tantos enganos, acreditaram. Uns por necessidade, mas outros, santo Deus, porquê?
No tempo da monarquia, o nosso rei D. João V, quando nadava em ouro do Brasil, transformou dois terços do precioso metal na pedra do convento de Mafra. O outro terço, levou-o o Papa e a Igreja. O Povo e o país, continuaram pobres, miseráveis. Assim se consumiu aquilo que era do reino e se fez desandar mais uma vez a roda da fortuna em nosso desfavor. No Luso, á escala pequenina da nossa freguesia, acontece o mesmo. Depois de colombianos, portugueses, escoceses, o Estado e autarquia cobram alguns impostos e a mão-de-obra, cinge-se ao mais barato. Para o Luso, como para o país do nosso rei, nada. Continua adiado o seu dia da sorte. O rei , vai sempre nu. O Estado, esquece que isto existe, até se esquece da Mata do Buçaco, que lhes pertence, quanto mais do Luso! A autarquia, aproveitando a causalidade do protagonismo politico, aproveita para nos roubar um campo de golfe para o colocar num buraco assobiado pela ruído dos comboios e até a pequenina autarquia local, que já recebeu da Água do Luso á volta de cem mil contos nos últimos dez anos, não deu qualquer sinal desse dinheiro nas termas. A fonte do Castanheiro é o que se vê, a de S. João uma ruína, a iluminação pública uma vergonha, a sala de Internet está por fazer, um monumento á água, nada, ou uma estátua ou museu aos homens da hotelaria, muito menos, o acesso ao parque de campismo, uma lástima, o mercado paroquial, ultrapassado, a sinalização rodoviária incompleta, a turística uma anedota, e as noites são das matilhas de cães em rusgas de meter medo!!!!
Pode-se e deve-se perguntar: de cem mil contos recebidos do dinheiro das águas nunca sobraram uns trocados para comprar um comboio turístico que custa mil ou dois mil contos? Nunca sobrou nada para fazer um torneio desportivo para animar a fraca economia da terra? Ou para fazer alguma obra que ficasse a marcar a volumosa importância? Ou outra coisa qualquer onde se vissem esses cem mil contos do Luso?????? È legitimo perguntar se é assim que os eleitos da freguesia entendem o turismo, pois se assim é, no meu entender deixa muito a desejar a sua actuação bem como a defesa dos interesses da própria terra.
Quanto ao futuro, deixaremos na fé, na crença e na magia das oportunidades, porque acreditar é uma evidência, face ás potencialidades e aos equipamentos existentes na freguesia para poder avançar. Ter uma concessionária há cento e cinquenta anos apenas para recolher a riqueza do Luso em horário continuo, é muito pouco, os poderes públicos deviam interpreta-lo de vez e a própria empresa, hoje desenraizada e sem a cultura própria que já teve, em nada se prestigia sugando ao lugar toda a matéria prima a troco da morte das termas e da terra fazendo tábua rasa sobre um contrato de concessão que em qualquer outro país dos quinze da Europa , seria para discutir e para fazer cumprir.
( PS - Parabéns e solidariedade á Central que não tendo nenhuma nascente, investiu o que investiu num hotel familiar , em pleno centro do Luso. Sabem porquê? Porque entre outros , acreditou em vós , os das águas e os das autarquias , fazedores de perspectivas . Quem pode acreditar ????
Julho,2007 lusotemas.blog.com