Fonte do Castanheiro
TEMAS LOCAIS
Ferraz da Silva
A FONTE DO CASTANHEIRO-8
De fonte já pouco tem. Um boneco de pedra vandalizado do tamanho do manneken-pis de Bruxelas donde cai , dum cântaro rachado, um pequeno fio de água trazido da rede pública por favor, alimenta-lhe a recordação duma fonte que já foi. Fonte do Castanheiro , dizia-se e a dar também nome a uma avenida turística , se assim se pode dizer, chamada também do Castanheiro ou dos Castanheiros, singular ou plural isso não tem importância nenhuma para o caso e estende-se cerca de duzentos metros entre a 234 e a estrada para o lugar do Monte Novo e Salgueiral da freguesia do Luso. É um lugar escavado na encosta da serra do Buçaco sobranceiro a um vale profundo onde antigamente habitava o pinheiro marítimo , hoje quase completamente substituído pelo eucalipto australiano. Questão de rendimento para os povos da região que optam , face ao desordenamento agrícola crónico do país , por tirar a maior vantagem possível dos terrenos ásperos e íngremes para obter rendimentos que doutra maneira seriam impossíveis de obter. Seja como for um ambiente limpo, aprazível , uma respiração a sugerir pureza por quanto abrangem os olhos numa volta em redor. Não foi para a agricultura que esta rua ou avenida , que é quase a mesma coisa, foi aberta em duas faixas laterais para passeio ou ‘promenade’ de peões e uma faixa central para veículos , mas sim para servir no principio do século os interesses turísticos locais. Obra que se deve a Emídio Navarro, esse político do Luso, muitas vezes odiado em termos de concelho por, entre outras razões, querer trazer ao rincão que aprendeu a amar as mais recentes conquistas do urbanismo e um espólio construído de habitações tipo ‘chalets’ que, até hoje, não tiveram a sorte de sobre elas e sobre o seu valor arquitectónico recair qualquer estudo aprofundado. De facto, o espólio do Luso é ainda hoje a prova clara do avanço do ministro em termos de termalismo e urbanismo, virados particularmente para o desenvolvimento turístico da zona e da sua avançada visão em muitas outras matérias tão contestadas na época. Doutro tanto se poderia queixar Costa Simões , avançado no seu tempo e também um homem incontornável na história concelhia. Situada pois em plena encosta a rua ou avenida como lhe queiramos chamar, ladeada por plátanos maltratados, goza duma paisagem em plena natureza, na pureza do ar e horizontes que, seguindo depois a estrada que nos leva ao lugar do Monte Novo e Salgueiral, não deixam de nos surpreender. Por ali perto funcionaram noutros tempos os hotéis Serra e Lusitano, este último recuperado e transformado em centro de férias do Inatel. E esta Avenida ou rua ,já gozou de melhores dias quando era acompanhada e tratada pelas autarquias locais com o cuidado e desvelo que aquele pequeno paraíso merecia. Tudo isto para dizer em poucas palavras que ali, actualmente, é um pedaço do terceiro mundo. Em termos administrativos pertença da Câmara da Mealhada , nada se pode esperar do município pois turismo , para quem lá está, parece chinês e o Luso, maltratado pelo executivo, não tem no orçamento municipal senão uns magros cem mil euros para comprar uns terrenos não se sabe bem para quê nem para daqui a quantos anos , tal é a importância que o executivo dá a estas coisas que trazem para o concelho uns milhares de turistas com as respectivas contrapartidas em riqueza de contado. Enfim…Se alguns políticos tivessem que prestar contas e pagar os prejuízos causados pela sua distracção e inoperância, , talvez este país não fosse a permanente feira da ladra onde os portugueses vendem os dedos e anéis para alimentar a ganância de clientelas partidárias onde , nos piores momentos dum bigbrather publico, se comem uns aos outros pela repartição dos tachos. Propostas e programas, foi chão que deu uvas !Também a malfadada Quinta do Alberto em pleno centro urbano do mesmo Luso, constitui um problema que não está resolvido há meia dúzia de anos porque o presidente da edilidade nunca mostrou interesse , ante as constantes solicitações dos proprietários, em resolver o assunto. Diria mais, que nunca quis resolver o assunto. Mas são assim os políticos que se colam á mesa pública durante muitos anos e passam a dar ordens pela barriga e não pela cabeça.Também a autarquia local freguesia , nada tem feito para dar aquele local a dignidade e a importância que merece, apesar de nos últimos dez anos ter recebido da água do Luso cerca de cem mil contos, repito , cem mil contos em tranches de dez mil por ano, resultado dum contrato assinado entre aquela entidade e Rui Marqueiro, enquanto presidente da edilidade. Quanto á Junta de Turismo, maltratada por todos os poderes, mal o dinheiro lhe chega para pagar aos funcionários e manter alguns jardins mais ou menos apresentáveis na zona central da vila. Apenas a Rui Marqueiro, se deve toda a estratégia que dotou o Luso de estruturas desportivas e turísticas que não tinha, desde o parque de campismo, ao pavilhão, á piscina e mesmo ao centro de estágios . Aliás se deve a Marqueiro toda a estratégia que modernizou o concelho acompanhando de forma eficiente um pouco do que se passou nos melhores municípios do país. Terminada a estratégia Marqueiro , deixou de haver estratégia municipal e hoje a gestão não passa da ‘precaridade’ corrente da coisa pública. Em termos de turismo, como já disse algures, com responsabilidades enormes para quem dirige o município , não há estratégia, não há vontade, não há conhecimento. Juntemos ainda a este terceiro mundismo da Avenida do Castanheiro, e Quinta do Alberto, esta escondida pela beleza sempre viva do arvoredo, também o acesso ao parque de campismo da Orbitur que alojou no ano passado oito mil nacionais e estrangeiros. Uma estrada digna de acesso, nunca foi feita e a que existe, sem passeios para peões, estreita e com uma iluminação deficiente , é bem a imagem do conceito que a Câmara da Mealhada tem do turismo e do inexistente respeito para com a vila termal do Luso. O mesmo é dizer, para com o turismo do concelho que traz riqueza e emprega, portas adentro , centenas de famílias e vende , contabilizados a baixos preços, mais de meia dúzia de milhões de euros anualmente, só
em quartos. Comentários para quê ? No coments , como na euronews ! Luso Maio,2006