Tuesday, June 9, 2009

 politica

 MEALHADA, A DERIVA SOCIALISTA
      E O CANDIDATO
FANTOCHE 

 

Na farsa politica que foi a eleição do candidato á Câmara da Mealhada pelo partido socialista, como vem sendo costume, a via foi a da impostura, da imposição, da falsidade, da mentira, aquela que qualquer soba africano dos poucos que ainda subsistem, utiliza para se manter no poder, exceptuando as armas que, por enquanto, não fazem parte da comédia partidária. A coisa conta-se em duas palavras e tanto merece ser contada como merece ser lida para que se saiba como funcionam os partidos políticos e quais os métodos do vale tudo que são utilizados para não se perder o emprego, pois não vejo outra razão já que o poder pelo poder, numa autarquia tão pequena como a Mealhada é um motivo pouco racional e a vontade de servir os munícipes, a noventa mil euros por ano é uma treta que não tapa os olhos a ninguém. Mas vamos ao assunto.

Na opção da escolha do candidato á Câmara, a realidade dos votos concelhios da concelhia do PS dividia-se entre oito cabralistas e vinte e dois marqueiristas. Perante este diferencial que sem dúvida indicava como candidato eleito Marqueiro, o executivo cessante constituindo-se como dono do partido, espécie de iluminados que até tem colocado a Mealhada fora do mapa da zona centro, meteu pés a caminho e andou de porta em porta na capital e no Rato, donde parece conseguiu mascarar a sua posição minoritária e obter apoios, alguns até, oriundos das águas, das quais têm sido os primeiros aliados colaborando na destruição das termas do Luso e colocando-se abertamente contra o cidadão que é a única razão de existirem. Tenho-lhes chamado coveiros das Termas e havemos de ver quem tem razão! Já no próximo Outubro, na inauguração das pseudo termas SPA, antes das eleições, veremos se a festa mete ou não croquetes e pataniscas e até onde chegam as manobras politicas e outros interesses que nada tem a ver com as populações.

Os lá de baixo, de Lisboa, que caminham também a passos largos para um estatuto de ditadura, sem ouvir os socialistas da Mealhada como deve ser feito, acoitaram as cunhas e, quando chegou a hora de escolher, portanto da votação, aperceberam-se que o cabralismo continuava a perder e mandaram um ultimato, dirigido em primeiro lugar ao candidato alternativo, o ganhador, que foi ameaçado de tudo, até da hipótese de perder o emprego, para que desistisse. Há quem chame a isto, hipocritamente, aconselhado, o que não deixa de ser a mesmíssima ameaça, para mim, ignóbil. Com tais conselhos, o candidato foi forçado a desistir a favor dum cozinhado mais ignóbil e desonesto com que enganaram os militantes que saíram do acto eleitoral absolutamente desnorteados e insatisfeitos, feridos naturalmente na sua qualidade de decisores a aquém foi coarctado o direito estatutário que lhes competia de decidir.

 Inadmissíveis, vergonhosas, sujos, é o mínimo que se pode dizer destes processos que em nada abonam o regime e muito menos quem as utiliza neste socialismo autocrático onde as estruturas partidárias são verbos de encher e portanto inúteis. É o melhor caminho para o fim do partido, depois dos partidos, depois do ar democrata que se respira ou respirou , depende da interprtação.

  Não fica por aqui o que quero dizer, pois  mais grave , é que não se trata da primeira cabala deste candidato, como aliás já referi noutra ocasião. Já da primeira vez que o mesmo candidato concorreu, então oriundo da área comunista, perdia na comissão politica para Odete Isabel pois a comissão politica dividia-se então entre onze votos para Odete e nove para Cabral. Valeu também na altura um expediente igualmente habilidoso e desonesto que consistiu em nomear na véspera dois elementos da juventude socialista que tinham direito a voto se a juventude funcionasse. Só que na altura isso não acontecia e não havia portanto representantes dessa mesma juventude. Forjou-se uma hipotética eleição, com uns amigos de Aveiro, que teve um preço e duma noite para o dia nomearam dois jovens avalizados pela distrital que nunca tinham existido. Foi assim que Cabral ganhou na comissão politica por doze votos contra onze, numa votação em que esteve um representante da distrital que fez um relatório arrasador sobre a ilegitimidade da nomeação, uma palhaçada e só não foi agredido porque houve pessoas com algum comedimento que apaziguaram a questão. Tudo com o conhecimento e aval do candidato que não hesitou em servir-se destes métodos sebentos para se elevar politicamente á presidência da Câmara. Useiro e vezeiro? Os indícios estão á vista, e em épocas anteriores, essa nunca tinha sido de facto a conduta do partido. Mas há mais gente que participou nestes processos políticos e que promoveram depois autênticas depurações a que só faltou um Goulag ! Gente que nem lembra ao diabo!!!!

Trata-se pois da segunda vez em que o verdadeiro candidato socialista fica na gaveta trocado pela absurda escolha dum candidato que beneficia destes expedientes politicamente inaceitáveis e indignos do cargo a que concorrem. Assim, não é o partido socialista da Mealhada que concorre mas sim aqueles que, ilegitimamente, tomaram conta dos cargos elegíveis numa corrida desleal pelo poder e pelos lugares remunerados excluindo os verdadeiros socialistas de qualquer decisão.

  Com métodos destes é natural que inadvertidamente tenhamos saudades  dum Salazar qualquer , que o de Santa Comba fazia isto muito melhor, sem palhaçada politica, seguindo as regras do regime. Aqui, é diferente, esta gente que parece querer manter o poder e os empregos á força, achincalham a democracia e os socialistas inscritos que restam. Para já, conseguiram acabar com o partido e, curiosamente, são agora os eleitos que se auto candidatam autonomamente, pois a estrutura partidária, aturdida e desmotivada nunca mais reuniu. Porque se engoliram em seco com a imposição de oito votos cabralistas, mais engolem com a segunda da lista, a vice-presidente da Câmara que essa, se fosse a votação entre os socialistas, o mais provável era não levar um voto sequer! Apenas vergonhoso!

Cedo ou tarde o partido pagará no município a factura destas absurdas situações

O verdadeiro, por desrespeito e inutilidade, esvaziou-se, os autos nomeados, já no último acto eleitoral entregaram a chave abandonando a estrutura. Logo no dia a seguir ás eleições. Querem apenas servir-se do partido para ascender na política e fazem-no á boa maneira da União Nacional, como se vê.  

No meio disto, há palermas que ameaçam rasgar o cartão partidário porque não lhes fizeram as vontades. Eu não rasguei o meu, não tenho filhos empregados em Câmaras como a maior parte das pessoas não tem, nem aqui, nem
em Castelo Branco, nem em lado nenhum, nem família á espera de empregos camarários, mas se fosse candidato a um órgão qualquer baseado em tamanha irregularidade e absurdo, sinceramente prescindia do cargo, tinha vergonha de mim mesmo, era incapaz de candidatar-me a um cargo público repudiado pelos próprios apoiantes e imposto, como nos velhos tempos, á boa maneira de Salazar. Ou de Stalin! Aqui, tornou-se prática corrente!

 O cartão de militante serve-me para fazer estas croniquetas, não é malhar em ferro frio, vai-se aprendendo e vamos ganhando consciência colectiva de que isto não pode ser assim, o rei vai nu e algo tem que mudar para que haja respeito pelas regras, pelas leis e pelas pessoas. De resto, quando mo quiserem tirar podem fazê-lo, mas hão-de dar-me esse prazer porque deste socialismo de alguns, de facto não gosto de fazer parte e estarei sempre do outro lado a denunciar a mentira, o oportunismo e a incompetência.

Com esta gente, o município da Mealhada deixou-se ultrapassar por toda a vizinhança. Que razões nos levam então a apoiar candidatos sem escrúpulos políticos????

Dá que pensar.

Luso,Maio,2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tuesday, May 5, 2009

CRIME NA NOITE ESCURA

RÓNICAS LOCAIS

 

CRIME NA NOITE ESCURA-71

 

Ferraz da Silva

 

 

   O Rui deitou o fogo a umas ramas de acácia que alguém cortou e inadvertidamente deixou no mesmo lugar. No primeiro dia da primeira vez, chamaram os bombeiros que acudiram prontamente e rapidamente debelaram o fogo que, não sendo coisa de alarmar, corria o risco de se propagar.

 Porém o Rui, que tem zonas do córtex frontal absolutamente danificadas, ou porque não ficasse satisfeito com a rápida extinção das chamas ou porque não tenha atingido a vingança programada, dois dias depois, pela segunda vez, ao passar no mesmo local a caminho de casa voltou a incendiar as ramas de acácia velha já anteriormente incendiadas, mas agora quis a sorte, ou o azar do Rui, que o seu acto fosse observado por um vizinho que o advertiu e denunciou.

 Depois dos bombeiros terminarem mais esta acção de rescaldo dos restos das sobreditas ramas de acácia austrália, o Rui, também vulgarmente conhecido por Xira, ou Chira, confessou o crime e foi levado pela policia para o posto do município e presente ao tribunal de Águeda onde ficou preso preventivamente pela sua acção criminosa.

  Em traços largos foi o que aconteceu e no dia seguinte o jornal nacional de maior circulação deste país, informava, a bem das estatísticas e da eficiente captura policial de foras da lei, que fora apanhado e levado a tribunal um perigoso incendiário de trinta e oito anos de idade.

 Eu conheço o Rui. A bem dizer toda a gente conhece o Rui, ainda bem que ficou na prisão preventivamente, pelo menos terá direito a comer, a dormir, a tomar banho e descansar na tarimba umas boas horas da sesta, gozando o fare niente e o bom trato. O Rui bem precisava de férias, quiçá, as férias duma vida por conta do Estado de direito. E de barriga cheia. Finalmente!

  Numa noite do verão passado, regressava eu a casa no fim dum passeio estival quando ouço aflitivamente a sirene do 112 que se dirigia na minha direcção. Estuguei o passo porque distingui cem metros á frente e na beira da estrada, um corpo estendido. Era o Rui e mal eu cheguei ao local parou junto de mim a ambulância, cujos operadores, depois de verificarem a personagem comentaram que era a segunda vez que o vinham buscar. Vinho? Perguntei. O que havia de ser? E levaram o rapaz mais uma vez quando não dava sinal de voz, naturalmente fingido e desejoso, na sua etérea condição, de dar um tranquilo passeio de automóvel. É natural ter feito sete ou oito quilómetros a pé, no regresso, para gozar este prazer da sua mente afectada, mas que é uma maneira própria de interagir com o meio, isso é verdade.

Á dois anos, como acontece todos os anos, tinha o meu quintal a transbordar de silvas e, lembrando-me que o Rui me tinha perguntado havia pouco tempo se tinha algum biscate que fizesse, chamei-o ao local e propus-lhe o corte das silvas por empreitada. Acordamos o preço, a data e o pagamento, metade a meio do corte, outra metade no fim depois do trabalho feito. Líquidos, só água e ferramenta, a meias.

Era uma manhã de segunda-feira, oito horas, Maio ou Junho, não me recordo bem, quando o Rui apareceu para fazer o trabalho, sem ferramentas e a fumar cachimbo. Que não, naquele dia não poderia ser e metendo os pés pelas mãos na sua irresponsabilidade nascitura, convenceu-me que as silvas ficariam por cortar, não fosse eu tirar-me de cuidados e fazê-lo por mim próprio.

 Mas o Rui tem um nunca acabar de histórias, não sei se alguma com honras de jornal diário como esta, mas sem dúvida todas elucidativas e a atestar a sua falência emocional, os seus descontrolados impulsos e a sua falha afectiva e de razão.

  Não precisamos ir a Descartes, Punset ou Damásio para concluir das deficiências natas do Rui, ampliadas e agravadas pelo meio e ambiente onde se insere a sua participação, afinal, neste espectáculo grotesco do mundo em que vivemos, tão grotesco que o define, num jornal nacional, como perigoso incendiário. Quando afinal, me parece que seja mais vítima que outra coisa, vitima duma sociedade alienada á força do dinheiro, do stress , da agressividade, do individualismo. Vitima duma sociedade dirigida pela especulação desenfreada, pela ganância de elites de malfeitores, caracterizada pela agressividade, falta de respeito para com o próximo, pela falha dum sistema de saúde que não dá ao cidadão comum, hoje o cidadão low cost, o direito á saúde, ao tratamento,

apenas acessível, tal como a justiça , a ricos .

  O Rui, ou Xira, digo-vos eu, não tem, nunca teve, refeição certa. Nunca teve telha segura, nem um apoio, uma mão interessada, nunca obteve, provavelmente, um gesto carinhoso dum familiar ou amigo, nunca foi visto por um psiquiatra ou até por uma instituição estatal que lhe verificasse a saúde do corpo e a saúde da mente. Ao Rui, como a um cão, dá-se talvez um pontapé, um riso irónico, um cobertor e um monte de palha para deitar os ossos. Como pode surgir num noticiário nacional como um incendiário? Um irresponsável, ainda vá, um incendiário, não concordo. Não se poderá perguntar, por outro lado, se os incendiários não somos nós, todos os outros?

 Incendiário para satisfazer as policias que fizeram um bom trabalho ao captura-lo? Incendiário para termos um bode expiatório que nos consola intimamente a substância, nos alivia a alma e satisfaz a agressividade? Incendiário para comodidade dos déspotas e tiranos deste mundo selvagem ?

Serão insondáveis os desígnios da alma humana, hoje largamente identificada apenas com a mente? Não tanto assim, amanhã saberemos, mapeado que esteja o cérebro, as razões que por agora, muita razão desconhece.

 Ainda bem que o Rui ficou em prisão preventiva. Os dias em que lá estiver, tem comida quente, a tempo e horas, em cima duma mesa! Como raramente tem !

 Apesar disso, vale a pena perguntar se num país onde os criminosos não ficam em prisão preventiva, onde os ladrões andam á solta a roubar ainda mais do que roubaram, onde as pressões do poder, politico, judicial, ou económico não se julgam, onde o sentido de Estado se transformou no interesse individual de corruptos e oportunistas, porquê prisão preventiva para o Rui quando apenas precisou desde criança dum psiquiatra ou dum neurologista que lhe acompanhasse os neurónios.

Sem aplausos para o acto em si, preventiva por fogo posto!? Anedótico!

 Em Portugal, Europa, Século XXI. Abril/2009

águasdoluso.blogs.sapo.pt

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PASSEIO TERMAL

CRÓNICAS LOCAIS-70

 

PASSEIO TERMAL, LUSO-LONGROIVA

 

Ferraz da Silva

 

No verão de 1902/03 o rei D. Manuel II, então príncipe, passou pelo Buçaco num passeio de estudo e deslocou-se em seguida para Penacova, por Coimbra. O rei tinha a mania de anotar nos seus cadernos de apontamentos as distâncias percorridas e anotou 50,8 Km. N’outro passeio á Serra da Estrela dirigiu-se de Mangualde para o Buçaco e anotou nos mesmos cadernos 140,9 Km e, seguindo do Buçaco para Tancos anotou a distância de 180Km.

 Nestes princípios do século passado o Buçaco era uma estância em desenvolvimento acelerado e o Luso recebia muito mais utentes do que hoje apesar das termas se resumirem ao edifício antigo , aquele que veio a existir até 1934.

Se nesta época remota as viagens eram difíceis pelas estradas existentes, o caminho de ferro abria as portas da liberdade a muitos citadinos, sobretudo a uma Lisboa habituada a ir ás hortas ou a ir a banhos a Belém, donde vieram muitos dos que engrandeceram as Termas.

Cento e sessenta e dois quilómetros de boas estradas separam-nos hoje dumas pequenas termas que se estão igualmente a engrandecer, Longroiva, concelho de Meda, no distrito da Guarda. Vamos a Santa Comba, Mangualde, Celorico, Trancoso, á aldeia medieva de Marialva, muito bem aproveitada para o turismo e num pulo encontramos adiante e á esquerda a cortada para Longroiva, um, dois quilómetros se tanto.

É a primeira vez que deixo o rumo de Foz Côa para ir ao coração da aldeia. Na região, as amendoeiras começam a florir e na paisagem agreste renasce esse esplendor do vestido branco e rosa com que se ornamenta a natureza na hora da criação. Logo após uma pequena subida ziguezagueando, surge o velho edifício termal, logo seguido do novíssimo e ainda pintado de fresco, estabelecimento renovado. Á frente, uma placa indicativa do apoio recebido da CEE e levantando a vista, acima  das palavras, vislumbra-se a silhueta austera do velho castelo ao lado da torre sineira da igreja matriz.

Longroiva é uma aldeia interior, perdida entre Trancoso, Meda, Foz Côa, Castelo Rodrigo e Almendra mas é, pelas suas águas termais, uma princesa da região. Sulfurosas, são conhecidas desde a ocupação romana do território, serviram estes e o reino e, passando por vicissitudes várias, estão hoje ao serviço da república.

Não há um hotel, não há uma pensão, os termalistas alojam-se em casas particulares e os vizinhos deslocam-se das suas próprias terras em vai vem mas, graças á perspicácia dos naturais e ao apoio declarado da sede do concelho, construíram um estabelecimento termal novo de se tirar o chapéu, cómodo, qualificado, dotado do moderno equipamento de termas clássicas e preparado para assumir variadas vertentes.

 Diz na placa que custou cinco milhões de euros com a ajuda da CEE e da Câmara, o dobro portanto, anunciado para a requalificação do Luso.

Chegado aqui, devo acrescentar a título de comparação, que recentes intervenções em termas custaram ou vão custar 80 milhões de euros em Vidago, 60 milhões de euros no Vimeiro, 30 milhões de euros em Monte Real, 10 milhões de euros em Unhais da Serra, 15 milhões de euros na Cavaca (Sabugal), etc, etc…É público.

O caso leva-nos pois a questionar mais uma vez e com legitimidade o que se vai fazer no Luso com 3 milhões de euros (dois milhões, palavras do administrador, se se conseguir fazer com esse dinheiro) investimento que, soube-se também, é em exclusivo da Sociedade das Águas. O que é no mínimo curioso!

 Pois eu proponho-me antecipar o cenário termal do Luso, seguindo á regra o projecto apresentado pela concessionária e seu parceiro que, pela amostra, pouco parecem perceber do negócio das termas. Basicamente é assim:

a) as termas clássicas, isto é, aquilo de que o Luso vive desde o séc. XIX e XX, vão ficar reduzidas á actual buvete termal uma redução para um terço em área.

b) a actual zona dos tratamentos e banhos , portanto o corredor que liga  a entrada á buvete, vai ser desmiolado e ali  construídos dois mega SPAs ( ?) em 480 metros quadrados, que é a área deste espaço. Ridícula a palavra mega e SPA !

c) o edifício da fisioterapia vai ser dividido em duas partes , uma parte para continuar a fisioterapia, outra parte para instalar uma clínica dentária sem quartos, os doentes terão que se hospedar  no grande hotel, presume-se…

Pessoalmente tudo isto me parece um absurdo, tudo me parece uma brincadeira, tudo leva a crer que não há consciência do que se está a fazer.

Reduzir o espaço das termas clássicas é reduzir automaticamente a maior parte dos aquistas no Luso, que foram pouco mais de mil em 2008 e, já ouvi a excelentes especialistas que, unicamente no espaço da buvete, poucas hipóteses existem de atender mais de 500 utentes.

Reduzir o espaço termal a umas termas que já são das mais pequenas do país é claramente encolher a estância e logo, dizer não ao segmento tradicional dos frequentadores, aqueles que, por se hospedarem em qualquer lado, sempre foram o fermento da vila.

 Além disso a qualidade, o conforto, os cuidados, o atendimento, irão agravar-se e a recuperação para os três mil aquistas que o Luso ainda não há muito tempo tinha, vai ser uma miragem, pois irá acontecer o contrário.

Em relação ao SPA, anunciado como mega SPA, é do conhecimento geral que em 480 m2 isso não é possível, portanto aqui, ou trata-se de falta de conhecimentos ou de engano deliberado dos promotores. Pois se a concessionária vendeu os terrenos e construções onde o prometeu fazer, como o pode fazer agora? Só readquirindo aquilo que vendeu! E que clientes para o SPA que vai começar dum zero perante um termalismo clássico que potencialmente atinge um horizonte de 3.000/4.000? Com um vinha o outro e com o outro, quantos vem??? De resto, chamar SPA ao que está desenhado no projecto só por brincadeira se pode levar a sério!

Quanto á terceira parte, a clínica dentária, vai nascer segundo o mesmo projecto, em metade da fisioterapia. Mas se aquele espaço já é de si acanhado para as funções que tem, como vai suportar ainda uma clínica? Clínica pressupõe doentes. Onde se vão instalar? No Hotel. Concluímos que os prováveis clientes serão oriundos dum segmento alto da população, por isso serão seleccionados e poucos, não havendo qualquer garantia de que venham. Não que estejam a mais, mas porque não substituem os tradicionais, que animam a terra. Uns e outros são precisos mas uns são certos, outros não.

Tudo continua a indicar que a concessionária não percebe ou não quer perceber o problema do Luso e vai tentando furtar-se, com o apoio da Câmara da Mealhada, ao cumprimento das suas obrigações.

Toda esta tentativa de meter o Rossio na Betesga não será mais que liquidar as Termas? Desenvolvimento, isso, seguramente não parece e lavar a cara, não resolve.

Perante este cenário que pode ser destruidor para o Luso a Câmara da Mealhada, representante dos eleitores e dos interesses do município o que faz? Em vez de se colocar ao lado dos seus interesses, exigindo o cumprimento da concessão termal, opta por estar conivente com os objectivos da concessionária num protelamento constante das questões e em mini projectos que atrofiam a estância.

O Presidente da edilidade socialista pode dizer, como já disse, que nada percebe de Termas, mas não se pode escudar nesse desconhecimento da forma leviana que faz, para se furtar a incómodos. Se não sabe procure quem saiba! Não se pode calar politicamente por 60,70,ou 80 mil contos que o Luso lhe arranjou em Contrexeville e aguardar impávido e sereno pela morte definitiva da estância termal. Pela via politica, ou pela via judicial, há que colocar em causa as intenções da concessionária e pôr em causa, se necessário for, a concessão. Doutro modo, não se pode aceitar! Não faltarão interessados se a Água do Luso vier um dia a concurso público!!!

 Quando voltei de Meda e de Longroiva, 324 quilómetros depois, trazia comigo os parabéns a municípios como Meda, Sabugal, Nisa, ou Covilhã, onde se luta pela defesa das terras, das pessoas, dos seus interesses, ao contrário do que acontece na Mealhada concelho onde a luta diária é pelo comodismo, pela inveja, pela destruição, pelo saloismo , pela conservação do lugar.

  E como o rei, que mal teve tempo para governar o seu malfadado reino, anotei nos meus cadernos estas mirabolantes promessas e a incúria duma autarquia que em vez de zelar pelos interesses dos seus cidadãos  os ataca como principais inimigos !

 

 

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 CRÓNICAS LOCAIS

 

 Ferraz da Silva

 

  UM ALMOÇO LIGURE-69

   –Saímos juntos Júlia, saímos juntos! Se não te lembras eu sei, saímos juntos…com destino á Peneda, ou á Falperra, uma senhora… mas juntos !   O mutismo inicial dá origem a uma conversa animada, ás vezes de pouco nexo, ora quimérica como se estivéssemos a sair dum sonho, ora despojadas de conteúdo real como se antevíssemos um purgatório circunscrito ao horizonte visível, ora ásperas e desconcertantes mas sobretudo magras, secas, inconclusivas. Não raro a discussão, acordo e desacordo, coisa nenhuma. Se sós, antes do fim, se acompanhados, depois das despedidas. Como na vida de todos os dias limitados á perspectiva temporal, a verdade do nosso tempo, viveiro onde fermentam certezas, inquietações e dúvidas. Nunca aclaradas.   Subimos ás cegas ao lago de Rondanina no grande baixio dos mil e setecentos metros do monte Elba e dos cumes que alinhados em redor lhes despejam as águas. É uma cortina de picos na direcção do céu entremeados de valeiros que despejam enxurradas ao sabor da meteorologia onde abundam os javalis em varas de liberdade e alguns lobos.   Quando acabamos a volta em redor do imenso lago e começamos a descer, além das pequenas aldeias espalhadas pelas encostas, encontramos o aglomerado de Torriglia á roda do campanário ponta de lápis, não á moda octogonal da matitona mas redondo, afiado e pintado de ocre amarelo como todos os seus irmãos que avistamos ao longe empoleirados. Massena, o general do Buçaco, também por aqui andou em 1800 a travar batalhas que acabaram por dar a Napoleão e á França a posse da região e mataram definitivamente a república de Génova, onde nasceu Colombo.     Curiosamente o navegador tem dois berços afastados um do outro por uma dúzia de quilómetros. Um no centro histórico da urbe junto á Porta Soprana uma das conservadas entradas medievas da cidade. Tem o acontecimento gravado a ponteiro numa lápide e é o berço oficial do grande descobridor. O outro, doze mil metros depois, a levante,  é o embirrento empecilho da versão popular a empurrar a maternidade para Quinto um bairro entretanto integrado na cidade que ao tempo de Colombo seria apenas um ponto de passagem á margem da via Aurélia plantado entre a íngreme encosta e a beira-mar. Lá está ainda de pé a casa que os moradores locais não se cansam de apontar como a verdadeira casa de Colombo, Columbus de terra rubra, cor das calçadas com que é recoberto o chão das veredas que sobem e descem entre vertente e mar por escadarias íngremes, sinuosas, antigas e becos apertados nas gargantas. António Tabuchi, em Fio do Horizonte, conta isto muito bem. É hoje uma casa de retiro religioso protagonizado por uma ordem cristã com três freiras e missa pública aos domingos de manhã de porta aberta.   Torriglia , fica bem no interior montanhoso deste mar sereno  para onde correm em torrentes os dispêndios das nuvens. Não tem nomes de rios mas de torrentes porque tão depressa estão cheios, como secos, mais bazófias que o Mondego nos tempos em que corria livre e inundava os campos de Coimbra a Montemor-o-Velho.   Aqui, as torrentes descem dos Apeninos Ligures que caiem abruptamente sobre o mar de diversas altitudes e dão lugar a uma costa recheada de baias e enseadas ou de pequenos cabos e penínsulas que fazem portos rendilhados na rocha das vertentes, vistos de cima, lá de algum santuário da montanha, como de Stº Hilário, por exemplo, a lembrar um mini mundo de Gulliver, do sonho e de brincar com barcos e piratas do antanho. Velhos castelos lançados sobre as águas são testemunho fiel das lutas entre cidades mediterrânicas ou abrigos dos cruzados de Federico Barba Roxa, na senda da Terra Santa. Torriglia cujo crescimento tanto se deve aos bombardeamentos ingleses da última grande guerra, quando serviu de refúgio á cidade vizinha, como ao aumento de preço da habitação urbana nos dias que decorrem é onde encontramos a típica locanda  Becassa para matar a fome. Era já tarde, por sorte conseguimos um lugar e um almoço lígure onde não faltou a tradicional e proibida, coisas da CEE, mioleira frita, como o bolo de bacalhau, os peixinhos da horta, a costeleta de anho passada e frita á maneira local na companhia dum barbera de monferrato com origem controlada no outro lado da montanha, frutado, seco, macio como a planície do Pó, Alessandria e Pavia, donde vem e … nada de massas.  Agitamo-nos depois em discussões filosóficas, como sempre sem acordo visível enquanto na mesa ao lado, corrida a toda a largura da casa frente ao crepitoso fogão , decorre um animado convívio de terceira idade acabado entre brindes licorosos de limoncello e amareto e dum intragável licor de mirtilo da Certosa de Pavia, que fazem esquecer de momento o problema da falta de neve em pleno mês de Dezembro.  É que para toda a gente deste norte do Tirreno, governos incluídos, esta falta de frio e dos consequentes nevões, são uma verdadeira tragédia para o turismo local e consequentemente para as pessoas que dele vivem, mesmo em Torriglia aonde não há pistas de esquiar mas onde não deixa de nevar em sinal de equilíbrio para uma boa harmonia de natal. Por estranho que pareça há países onde o mal de uns é preocupação de todos ainda que um papa qualquer vindo dos bárbaros do norte se esforce por meter o bico na esfera dos políticos sem senso e sem experiência. A vida real acaba sempre por pesar mais do que as sentenças, sejam terrenas ou divinas.  Na locanda, a minha amiga Júlia deixa-se enfim vencer pelo efeito do deus Baco na pura essência dum licor leve e tardio e remete-se ás tréguas que acontecem por uma esfuziante retoma de amores ameaçados. Tiro-lhe da bolsa em pele um pequenino frasco de eternity que lhe ofereci no último natal e perfumo-lhe a face e o pescoço como se utilizasse um cachimbo da paz. Encosto-a ao meu ombro e deixo-a adormecer instantaneamente durante cinco minutos, o tempo suficiente para recuperar dos etéreos efeitos da garrafa de barbera e consciencializar-se que tem os pés agarrados ao chão e que se cair, seguro-a num abraço. Peço a conta e pago. Consegue andar. Em silêncio começamos a descida. Um dia, penso, há-de ficar aturdida e presa a um oportunista qualquer que lhe contará histórias de encantar depois de a adormecer num dolceto ou num Bairrada, sem recuperação.  Connosco correm torrentes em cada prega dos vales saltando de pedra em pedra, de cascata em cascata num cantarolar adivinhado pelo ar condicionado. Fantasmas do crepúsculo desenham-se nas sombras da floresta nas curvas do caminho e os promontórios rochosos recortados nos picos transformam-se em figuras na nossa imaginação. É assim que nascem os gigantes, quando na beira-mar, adamastores.   Pelas notícias da rádio 19 começou finalmente a nevar qualquer coisa nos Alpes de Monte Carlo enquanto o mar se aproxima cada vez mais de nós antes de nos precipitarmos nele através de gargantas profundas defendidas pelas defesas acasteladas da cidade   Muito para trás de nós ficou a Srª da Peneda, Castro Laboreiro, Melgaço e Vila Nova de Cerveira onde á beira do Minho os peixes voavam desafiando as leis da gravidade antes duma noite de insónias, esquecidas que foram as pastilhas reni, digestivas e seguras para acalmar o estômago. E os nervos. Até amanhã. E adormecemos na Feira, como de costume.                                                 Torriglia, Dezembro,2006  

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Wednesday, February 11, 2009

BATISTAS

 

  1.  BATISTOMANIA OU A INVASÃO DOS BATISTAS

  1. CARDAL,27–Parece  existir uma incubadora de batistas na Mealhada. Embora ninguém saiba explicar o fenómeno nem definir exactamente o que é um batista , este estranho ser vem surgindo cada vez com mais frequência pelos cantos da cidade.Alguns informadores que os tem visto, comparam-nos a seres humanos , com um cheiro caracteristico detetavel á vista desarmada e movimentam-se perfeitamente em salas e corredores de organismos oficiais.
  1.   São susceptíveis, carentes, propensos a jogos e concursos. O professor Einstopistas que os tem observado á distância, está convencido que vivem como seres humanos, dormem como seres humanos, distinguindo-se apenas pelo extremo apetite  e pela verdadeira paixão que nutrem pelas mamas, tanto assim, diz o mesmo investigador, que mamam demais, excedendo em muito os humanos. Outra caracteristica de realçar prende-se o facto de gostarem muito de entrevistas, não se conhecendo mesmo nenhum exemplar que as não tenha feito.Dada a  rápida proliferação destes batistas, prevê o mesmo  especialista que num futuro mais ou menos breve é provavel abrir uma época excepcional de caça aos batistas, se esta estranha criatura vier a invadir a Mealhada com os seus mal estudados caprichos.
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Sunday, January 18, 2009

O MEU AMIGO FERROLHO

 

CRÓNICAS LOCAIS-64

O MEU AMIGO FERROLHO

Ferraz da Silva

 

      O meu amigo Ferrolho morreu. Morreu subitamente. E porque era um homem bom, simples, amigo dum amigo, subitamente também senti um forte choque e lamentei comigo a sorte que lhe chegou na meia-idade, com vida para viver por alguns anos e família para gozar da sua companhia. Mas a vida não leva em conta estes pequenos nadas e faz de nós humanos, os ínfimos seres que somos, sujeitos á lei severa do universo. Afinal, frágeis chalupas á deriva, prontas a sucumbir em qualquer momento em mar calmo ou sereno, sem consulta marcada.

      Foi o que lhe aconteceu, bom paginador que era!

      Bom paginador, o António Ferrolho e se falo dele aqui, neste jornal que tem vinte e cinco anos de existência, é porque também o meu amigo Ferrolho esteve no inicio deste projecto e a este projecto deu o seu trabalho, a sua vontade, a sua arte, as suas horas vagas. Com carinho, acrescento.

    As primeiras paginações do jornal da Mealhada foram deste homem, o que aprendi e aprendemos então, foi com este homem. Os conhecimentos que os poucos colaboradores do quinzenário adquiriram em termos de programas de PC (computador), foram deste homem. Foi ele que nos ensinou graficamente a fazer jornais. Foi ele que nos ensinou a bater texto, a fazer títulos, caixas, cabeçalhos, a fazer fotografia, a dominar o mínimo do page maker ou do fotoshop para inserir informação nas páginas e compor com carinho e com amor, como se fossem filhos, as primeiras edições.

   Nessa altura, com o material a granel e umas ideias da sua distribuição por páginas desenhadas a lápis preto, em cima duma mesa na sede, compostas depois na FIG, algumas na sua casa, em Vila Verde, onde fui algumas vezes a solicitar auxilio, outras á pressa nas horas de aflição, quando nos falhava o material e nos faltava a sabedoria para fechar uma edição. Foi com ele que aprendi o suficiente para fabricar este pequeno produto.

   É que este jornal, que agora me pertence apenas duma forma honorífica, (nem sequer uma espécie de honoris causa), onde o meu voto de fundador já não é preciso para funcionar, como aliás o dos outros fundadores, teve um princípio. Teve uma gestação difícil, discutida, partidarizada e finalmente fraccionada mas talvez por isso, por ter sido feito de arranques e retrocessos, de calma e agitação, de tentativas de aproveitamento, mas também duma liberdade que se foi impondo maioritariamente, nos tenha marcado com mais profundidade e criado dentro de cada um que o viveu, um amor invulgar que só agora o dinheiro, a mola destas coisas quando a politica retira o apoio á imprensa regional, que é o mesmo que dizer, retira a liberdade, acabou por tomar.

   Não de assalto, tomou-o dentro da lei, mas não dentro da moralidade que o equilíbrio, a justiça, a posse e a liberdade do jornal teve. Isto é, o jornal agora tem dono, ou donos, acabou a mesa plural onde esgrimíamos nós, os vinte ou vinte e tal sócios, as nossas dificuldades e pontos de vista. Com alguns excessos, mas também com uma vontade férrea de continuar e continuar como era, não fossem vicissitudes que poderiam muito bem ser transponíveis ou evitadas.

    Hoje, essa luta terminou, o jornal, nesse sentido que teve de criação, de ente, de filho, não existe, passou a ser alguma coisa que me diz pouco ou nada uma vez que se cortaram os laços afectivos ou os cordões umbilicais que nos ligavam. Dos muitos sócios que foram, poucos tiveram essa ligação tão íntima, digamos paternal com o periódico , desde o inicio e do seu primeiro director, também conciliador e grande amigo, o Prof. Armindo Pega que, sem escrever uma letra possibilitou o lançamento do mesmo.

     Estas considerações, que não tem a ver com o motivo principal da crónica, são apenas para sublinhar que o meu amigo Ferrolho, enquanto tive alguma responsabilidade no periódico, esteve sempre ao dispor para ajudar no que fosse preciso embora, diga-se, o jornal lhe tenha pago o tempo dispendido. Porém há coisas, como a disponibilidade e a boa vontade, que o dinheiro não paga e há que reconhecer o interesse e a vontade deste homem que faz dele, na minha opinião e a título póstumo, um grande amigo do jornal, ao qual recorri variadas vezes para que o mesmo saísse a horas e a contento do leitor. Num tempo em que ninguém, de dentro, ganhava dinheiro para o por na rua, já que foi uma obra de amor, não de finanças ou interesses, pois o único objectivo foi dotar a Mealhada dum quinzenário que retratasse o concelho e lhe escrevesse os anseios.

  Quando há meia dúzia de anos deixei o projecto, o conhecimento que existia era herdado dele e julgo que hoje, mesmo em termos gráficos, se regrediu e não se aprendeu mais nada do que deixou ficar, do que ficou do mestrado amigo e competente do nosso amigo Ferrolho.

 É por isso que o António Simões Ferrolho, merece ser aqui recordado, aqui e em outros jornais vizinhos onde prestou com honestidade e profissionalismo, o seu trabalho. Na Região Bairradina, no Gandarez, no Jornal da Figueira, noutros que não recordo de momento e finalmente no Popular de Soure, onde acabou na semana passada.

  Telefonei-lhe há um mês para lhe pedir um disco do fotoshp actualizado e para além de o encontrar bem, respondeu pronta e afirmativamente ao meu pedido, ficando combinado entre nós telefonar-lhe de novo para o ir buscar á FIG na hora do almoço, para juntos conversarmos uns minutos numa qualquer mesa da refeição na Pedrulha. Tal não aconteceu.

   È que há dias, estando casualmente a escutar a Voz de Soure, coisa que não é vulgar nas minhas audições de rádio, ouvi a fatídica notícia da sua morte. Chocado, fiquei na dúvida e só um telefonema para o Diário de Coimbra acabou por confirmar a triste novidade.

   Aqui deixo a minha homenagem simples a um homem que além de amigo pessoal, foi amigo da sua arte de paginador, dos bons que havia na zona centro e, acidentalmente um amigo do jornal que há-de ficar na história da sua génese, se algum dia existir história para contar.

 Que descanse em paz!

    Luso, Novembro, 2008                     mealhadatemas.blogs.com

  

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Friday, November 21, 2008

O HOSPITAL DA MISERICÓRDIA

 

   CRÓNICAS LOCAIS-63

 

 O HOSPITAL DA MISERICÓRDIA DA MEALHADA

 

  Ferraz da Silva

 

     Independentemente das pessoas, organizações, associações ou partidos políticos que estão na retaguarda de muitas iniciativas que se fazem por esse país fora, as obras levadas a cabo, quando se revelam úteis e de qualidade, devem ser merecedoras de louvores, solidariedade e apoio, não para premiar quem as concebeu e executou, mas para reconhecer, dentro dos parâmetros e valores duma sociedade civil, a utilidade que podem ter para o respectivo colectivo. Está neste caso o Hospital da Misericórdia da Mealhada cuja direcção e irmandade, ao dotar o concelho dum excelente hospital, merece os agradecimentos cívicos da população e o reconhecimento indiscutível da sua utilidade, da sua funcionalidade e da sua qualidade, dirigido em primeira instância, á comunidade concelhia. Não tem discussão, são factos.

   Juntamente com a Misericórdia, munícipes e autarcas podem e devem congratular-se

com esta estrutura, senão mesmo agradecer á dita Misericórdia a dita obra que não só pode servir o concelho nas suas necessidades primárias na área da saúde, como apoiar, quando possível, uma região que se pode alargar a alguns concelhos mais.

   Ao tempo do provedor Pato de Macedo, figura com quem partilhava algumas ideias frequentemente, escutei o anseio do seu sonho principal, que passava exactamente pela remodelação do velho hospital, no sentido de o transformar numa retaguarda de apoio aos doentes do município, mas também àqueles que, em fases terminais, necessitassem duma ajuda especializada em momentos difíceis, para os quais as próprias famílias não tem meios nem disponibilidade e nem conhecimentos.

    Dentro da modéstia da minha opinião, sempre o incentivei na via da execução deste desejo nobre e esclarecido, pois também por experiência própria tinha presente uma situação familiar cuja vida terminou, por incapacidade doméstica, nas instalações antigas, já degradadas e quase abandonadas, da unidade hospitalar.

    Redimensionado para melhor a obra está feita, há que reconhecer, com dignidade e qualidade indesmentível e a prestar serviços, pela experiência que já me foi dado observar, em óptimas condições.

   Não posso pois deixar de reconhecer a extrema importância do hospital e concluir que, se bem entendida a dimensão do empreendimento, ela pode, mercê da nossa inserção numa zona centro vizinha duma unidade central, preencher uma lacuna que havia no município neste sector e assim solucionar de vez e por algumas décadas, os problemas da saúde, devidamente emparceirados com as unidades de Coimbra.

   Por isto me admiro quando os autarcas, de uma forma que não compartilho nem compreendo, se manifestam contra um apoio sustentável á unidade hospitalar.

  Se bem que no estranho mundo em que vivemos apareçam ministras a defender a passagem de ano de todos os alunos, quer saibam quer não saibam e ao mesmo tempo a obrigar os professores a uma rigorosa avaliação depois de trazerem um canudo das universidades, isso não quer dizer que o insólito e o absurdo se estenda a todo o lado como peste, por isso, neste caso particular dum município que, mercê do trabalho dos seus cidadãos se apetrechou qualitativamente no campo da saúde, um poder público lúcido, não tem mais que reconhecer o interesse e o bom trabalho da Misericórdia e dar-lhe o seu apoio. Justificações, neste caso, estão evidenciadas por natureza e o resto, não passa de enquadramentos jurídicos adequados. Se assim não fosse, como é que há autarquias que mandam os seus cidadãos a Cuba para serem operados? Aqui, sabemos, isso não acontecia. Antes a morte! Porque o que não há, é vontade política de assumir a responsabilidade dum papel para que foram eleitos os nossos autarcas e considerar as pessoas nos valores e necessidades que na realidade merecem.

No caso do hospital, se outras razões não existissem, existe o facto de não haver dinheiro que pague a saúde de ninguém, e por isso também não haver dinheiro que pague a prevenção, esta mais eficiente e necessária que propriamente a doença depois de manifestada.

   Sei que a Câmara da Mealhada participou na construção com quinhentos mil euros, mas isso não dá o direito a qualquer autarca de se manifestar satisfeito e muito menos considerar ter cumprido o seu dever para com o cidadão que nele confiou. Porque devia ser claro que os autarcas eleitos estão para servir os munícipes, não para se servirem deles. Porém os edis agarram-se aos tachos, passe a expressão popular, com as unhas e os dentes e quanto mais tempo se empoleiram na cadeira, mais se julgam donos e senhores do território, dos lugares, dos empregos e não raro, também das pessoas. Com sobranceria e má educação, até…

   Este desiderato político terá um dia que acabar e as pessoas terão de prestar contas dos seus actos, numa democracia aberta e participativa, ao contrário do silêncio e oportunismo que são o lugar-comum da maioria dos autarcas. Senão vejamos onde nos levou nos dias de hoje, a ditadura do silêncio, do oportunismo, do engodo, da desregulamentação, do individualismo!

   Neste caso da saúde há que definir claramente o que é prioritário para as pessoas e o que não é, e por isso coloco algumas perguntas pertinentes:

    Será melhor ter boas estruturas na área da saúde ou ter cinemas a trabalhar para ninguém com milhares de euros de prejuízo todos os meses?

    Será prioritária uma urgência permanente para as pessoas, ou bancadas e relvados para meia dúzia de munícipes assistirem sentados aos jogos de futebol?

É isto apoio ao desporto, aos sentados nas bancadas?

    Serão prioritários bons quartos num hospital ou semáforos espalhados pelos mais recônditos lugares onde provocam mais acidentes do que previnem?

    Serão prioritários pavilhões ou boas salas de operações num hospital que nos acuda?

    O Piddac para 2009, a título de exemplo, contempla uma verba de 70.000 euros para a recuperação de um cinema. Todos sabemos que a obra vai custar, entre seiscentos, setecentos mil euros e sabemos também que a associação proprietária não tem nem de perto nem de longe, a verba para a fazer. Quem vai pagar o que falta se o Estado, como o orçamento deixa antever, não comparticipar? Ninguém tem dúvidas, é a Câmara, apesar do edifício ser propriedade privada. Para lá da promiscuidade inerente, pergunto, o que é prioritário, mais um cinema para dar prejuízo á Câmara, ou apoio ao cidadão na causa hospitalar, quando caminhamos para um mundo de cada vez mais low cost e de menos qualidade?

   Será também prioritário dar dinheiro a mercenários do futebol de fora do concelho, mais úteis que o hospital? Serão estas as prioridades mais justas? Serão mesmo as que pretendemos? E muitas outras mais se poderiam referir.

     Em minha opinião, é preciso reflectir e tentar perceber quais são na realidade os interesses do cidadão e quais são de facto os investimentos prioritários. Coisa que a nossa edilidade, tanto quanto me apercebo, não cura de saber, agindo como se vivessem num Olimpo acima do comum mortal, utilizando o munícipe apenas para alicerçar a sua coroa divina. Tudo de barro, como outro caco qualquer!

   Quanto ao Hospital da Misericórdia, não tenho dúvidas, é muito mau sinal o terminar das urgências, nocturnas que sejam, bem como o lavar das mãos, politicamente irresponsáveis, duma autarquia gasta e sem ideias. Á maneira do professor Marcelo, de quem não sou aliás grande admirador, parabéns Misericórdia. Cinco pontos, em cinco. Até para a semana!

Luso, Outubro, 2008                               mealhadatemas@blog.com

 

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O ESTRANHO CASO DO CAMPO DE FUTEBOL

 

CRÓNICAS LOCAIS-62

 

  Ferraz da Silva

 

 O ESTRANHO CASO DO CAMPO DE FUTEBOL-1

 

   Não vou pedir ajuda ao famoso detective Sherlock Holmes nem á minha querida amiga Júlia, a criminóloga, que adoro cada vez mais, mas vou eu próprio deslindar, se é que isto tem deslindação (?), este insólito caso do campo de futebol a que chamei estranho, porque na realidade se trata, não de crime premeditado, mas de comportamentos afectivos, sentimentais e de casmurrice endémica a que a rotina conduz com o á vontade e abuso puro e simples dos poderes públicos instalados, como não podia deixar de ser, os eleitos dinossáuricos, mais bem dito apodrecidos, a que nos vamos habituando. Será que só vão de cadeira? Vamos ver!!!!!

 Corro o risco, sempre o mesmo, perdoem-me os leitores que não sendo muitos são bons, corro o risco, dizia, de ser acusado de repetitivo, cáustico, teimoso, mas gente mais teimosa que Sherlock Holmes ou o próprio Hércules Poirot eu não conheço, eles que, liminarmente, conseguem levar sempre a água ao seu moinho, coisa que eu, é notório, não tenho a capacidade de fazer, embora descasque a batata com as melhores intenções dentro do melhor espírito civico e tendo sempre na perspectiva os interesses do município. Na minha óptica, indiscutivelmente!

    Eu julgo mesmo que um homem sem opinião é como uma mulher sem atractivos e por isso insisto neste vício herdado do Bairro Alto, quando aproveitava algumas horas que me sobravam do trabalho diário para ajudar na revisão das provas do Diário de Lisboa e juntar assim uns cobres para ver umas revistas no Maria Vitória com a saudosa Ivone Silva e as pernas da Marina Mota, então uma garota. Era no tempo em que um artigo da Seara Nova podia por o Chiado em alvoroço e as pessoas desapareciam apalermadas com a chegada da pide, escondidas no primeiro patamar ou vão de escada, não fosse o diabo tecê-las e metê-las na ramona. Pela mesma época aqui no município, alguns travestidos faziam um pretenso jornal contestatário onde imperava mais a maledicência que propriamente a consciência politica, todo ele feito de empirismo e de inveja. Não teve grandes consequências, como não podia deixar de ser, viu-se.

    Mas chega de retórica e vamos aos factos:

    Apesar de mealhadense assumido, sou burriqueiro, como todos sabem e compreensivelmente, neste momento conheço melhor os problemas donde estou todos os dias que do resto do município, por tal motivo que me perdoem se a questão tem a ver mais uma vez com o Luso, embora eu considere que se trata dum caso de todos.

   Nesta deserdada terra existe um centro de estágios que foi construído objectivamente como estrutura de apoio ao turismo e um campo de futebol que era pertença do clube local, que a Câmara, mercê de dívidas assumidas á segurança social pelo dito grupo, acabou por comprar. Esclareço que não fez como noutros casos em que munícipes oportunistamente ensaiados pelo poder instalado, oferecem terrenos á câmara para que depois ela faça estádios, não, não foi assim, foi de facto pelo assumir de compromissos financeiros que a associação desportiva não tinha hipóteses de solver.

   Se fossem o Sherlock ou a querida Júlia, facilmente chegariam a esta primeira conclusão a que eu, não sendo nem uma coisa nem outra cheguei, mas basta andar algum tempo pelos meandros politiqueiros para se aprender este catecismo que faz parte integrante do abecedário da carreira. Tal como o lambe botas!

  Acontece que a Câmara, que trata do centro de estágios, abandonou o campo do pobre clube que passou a ser o pior do concelho e onde disputam todos os anos um campeonato qualquer, sujeito mesmo a que os organismos da bola o impeçam, por falta de condições. Eu falo um pouco desprendido do assunto pelo simples facto de não ser grande adepto deste desporto câmara-dependente, pois ainda hoje não quero entender porque se distribui dinheiro público, que é nosso, pelo futebol e não se distribui o mesmo dinheiro, nosso, pelas associações de cultura, mas o caso, verdadeiramente estranho do campo de futebol, tem a ver com a utilização do centro de estágios.

  Acontece que estranhamente, ao Clube Desportivo do Luso está vedado o acesso ao novo campo relvado, o dos estágios, enquanto por ali treinam semanalmente, quando querem, os atletas do Desportivo da Mealhada e os mercenários do Futebol Clube da Pampilhosa, originando uma inaceitável situação discriminatória entre associações concelhias. Isto é verdadeiramente um atentado aos mais elementares direitos do cidadão municipal que, ninguém tenha ilusões, amanhã acontecerá em qualquer outro local do município sobre qualquer outra questão. Escandaloso!!!

   Foi perante este estranho fenómeno do campo de futebol que indaguei e vim a saber que a ordem é transmitida ou retransmitida por um sujeito de Arganil, desconhecido no lugar, ex-prestador de serviços á Câmara, hoje edil numa estranha promiscuidade politica, e confirmada pela presidência da Câmara, apostada politicamente, como tenho dito muita vez e com razão, em enterrar as termas do Luso e apagar, em termos práticos, a própria vila. Indagando e reflectindo, não encontrei razões para que isto aconteça, como não encontrei razões para que o dito Centro de Estágios não tenha uma gestão capaz de o por a funcionar eficazmente.

    No inquérito levado a cabo e das diligências empreendidas, conclui igualmente que a nossa edilidade tem dificuldade em sair dos próprios aposentos e a prova disso é que no período das minhas indagações encontrei o plenário em reunião entre a meia noite e a uma hora da manhã em plena obra da Fonte de S. João, supostamente ás escondidas, tal como encontrei um vereador que não identifico para não molestar ninguém, em alegre patuscada com um engenheiro camarário, um autarca da freguesia, trabalhadores municipais e alguns munícipes, todos também num convívio que me deixou perplexo sobre a desvirtuada democracia e a relação promíscua entre políticos eleitos, responsáveis autárquicos com poder de decisão, subordinados e cidadãos, situações que podem induzir interpretações dúbias para os envolvidos e para os próprios partidos políticos que representam. Não que das minhas demandas tenha retirado alguma conclusão, fique claro, mas tão só pelo aspecto, em minha opinião, pouco digno e salutar para quem gere órgãos e dinheiros públicos. Á mulher de César, não basta ser séria, muito menos na coisa pública…

  Como se vê, não precisei de ir mais longe para provocar um terramoto de descobertas que poderia continuar se me não faltasse espaço e a paciência do jornal e dos leitores, para me aturarem. Os reformados, com muitas horas de vazio, podiam ser muito úteis, podem crer!

Por absoluta falta de espaço fico por aqui, mas voltarei em breve ao mesmo tema, pois este caso do estranho caso do campo de futebol, como percebi, tem muito mais que contar.

 É que não nos podemos fiar apenas na gazeta estalinista que nos impingem mensalmente, paga pelo nosso bolso!!!   

PS- Sobre o meu artigo anterior , devo informar que os generais, entre reserva e activo, são duzentos e sete.

Para um efectivo total de 40.000 homens, significa que há 5generais por cada 1.000 soldados. Ora como em cada 1.000 soldados há no mínimo 150 oficiais e sargentos, elevará a média para 6 generais por 1.000 soldado rasos. Julgo que continuamos seguros! Seguríssimos!!!! Não temos é este rácio no ensino e na saúde, o que é pena!!!!

Luso, Outubro,                                                    2008 Mealhadatemas.blog.com  

 

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Tuesday, October 28, 2008

OS 127 GENERAIS

  
Crónicas Locais Ferraz da silva

OS 127 GENERAIS

“ Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas ;

Trinta anos depois, agora com netos, então com filhos, meti-me no carro rumo ao All Garbe e á praia dos Olhos d’Água, freguesia da novíssima cidade de All Bufeira (?). O mesmo Garb Andaluz muçulmano, depois do reino de Portugal e que é agora uma pró colónia britânica, daí talvez o All que os experts nacionais pagaram a um idiota qualquer para fazer a promoção, só o que nos faltava para aquilo se assemelhar a um apêndice de Gibraltar e mandar mais o sopro da Scotland Yard que a boca inteira da judiciária portuguesa, quando esta, parece, ter sido chão que deu uvas. Parei na área de serviço de Pombal para beber um café e comprar o jornale fiquei sumamente espantado com um destaque da primeira página sobre a quantidade de generais existentes neste país. Era o dia 10 de Setembro de uma quarta-feira de manhã e nem o café me caiu bem no estômago ante tanto general de reserva, coisa que de todo grassava na minha ignorância eu que, de generais, poderia supor afinal meia dúzia. Uma, já julgaria de mais para consumo da nação! Devo esclarecer que nunca gostei de fardas, fossem de generais, marechais, de bombeiros, policias ou filarmónicas, apesar de na dúzia de anos ter usado nas tardes de quarta feira e sábado a velha farda da mocidade portuguesa que aliás trocava gostosamente por uns pontapés na bola no campo de Santa Cruz em Coimbra, para além de ter assistido desde garoto á parada militar do 27 de Setembro no Buçaco, que metia fardas de granadeiros, lanceiros e ás vezes saias xadrez das bandas escocesas enfiadas em pernas tortas e peludas. Ainda não havia mulheres nas forças militarizadas! De Santa Cruz, que era palco dos feriados do liceu, lembro-me que um dia fiz uma camisola do Benfica com uma espécie de top da minha mãe, na qual cosi, a coberto dos olhos da família, um número sete, recortado duns restos velhos de lençol da minha tia Arménia. Nunca fui grande futebolista, porém a brincadeira valeu-me mais tarde quatro ou cinco bofetões quando se veio a descobrir o equipamento clandestino escondido na bagagem dos cadernos. Foi assim que cheguei aos Olhos D’Água a pisar e a repisar a história dos generais e do país dos generais. E a perguntar-me quantos terá a França, a Alemanha, o Reino Unido ou uma república de bananas da África Equatorial!!! E conclui que afinal, pode haver quase um general em cada esquina! Ou, feitas bem as contas, pelo menos um general por cada município lusitano, deve existir! É obra! Claro que isso não tem nada de mal, bem pelo contrário, estamos descansados, seguros, defesos! É uma garantia absoluta em caso de guerra, quer clássica, quer química, atómica, até cirúrgica e o cidadão, como é evidente, deve ganhar pouco que a crise é grande, mas deve estar seguro para dormir bem. Calotes não causam insónias! Depois, ganhar pouco e pouco comer dá saúde e faz crescer! Ganhar pouco para administradores ricos e ladrões, dá para comprar uns penicos! Empregos precários e ronaldetas milionários! A defesa do cidadão, em época de rapinagem como a que se vive, acima de tudo! Vivam pois os generais mais umas revistas cor-de-rosa, o jet set piroso da capital do reino e a televisão da desgraça para entreter a populaça! Ah …e umas santinhas de ladeira entendidas em milagres…! Quanto a políticos, continuem exactamente como três ex-ministros (disse o mesmo jornal uns dias depois) a discutir concessões da Lusoponte da qual são administradores á posteriori! Acrescente-se um Fernão Mandes Pinto para descrever as façanhas e aventuras mirabolantes de nova gesta e estamos salvos. Seguramente!     Só que esta dos generais, como outras que vem á luz do dia de vez em quando, também nos saiem do bolso. Sai do cofre duma caixa geral de Aposentações anualmente sustentada pelo orçamento. E o orçamento, tanto quanto se saiba, ainda é pago por todos nós. Paga o que ganha uns míseros quinhentos euros mensais, fruto do seu trabalho muitas vezes penoso e precário, para cobrir aposentações de seis mil euros!??? Será isto??? Mas, não devia ser exactamente o contrário? E para quê, é de perguntar??? Os cento e vinte e sete generais, mais os do activo, brincam ás guerras, jogam ás cartas ou aprendem música? Ou crocham, de crochet????    Então um dia as pessoas, isto é, o cidadão, talvez se dê ao trabalho de pensar e perguntar para que são tantos generais. A guerra do ultramar não acabou? E mesmo assim, havia por lá tantos? Para o Kosovo também vão generais? Ah, e a Bósnia, pois, a Bósnia, pois é …. Quantos são, quantos são, como dizia o outro??? Se a guerra colonial e fazia com uma dúzia deles, para que servem hoje tantos??? Para quê e porquê esta inflação de generais num país que não tem onde cair morto nem ninguém que o ameace?    Entre discursos da tanga e da crise que sempre há-de existir só para alguns portugueses, os mesmos, cheguei aos Olhos D’Água a fazer contas da portagem da auto-estrada e do imposto do combustível, e do imposto sobre os veículos, parte do nosso contributo para glória da pátria e carestia de tudo. Porra para tal pátria e vivam os generais!!!!    Ao outro dia na praia, de peitos nus botados á torradeira do sol, já me não lembrava de nada, até que encontrei os pequenos olhos de água a brotar da areia da praia como há trinta anos atrás quando lá fui pela primeira vez. Salva guardadas as dimensões, são parecidos com os da nascente do Luso, com a diferença daqueles nascerem água doce na água salgada e estes, água doce no sal.    Uns maiores outros mais pequenos, nascem a borbulhar como se fossem lágrimas e correm para o mar na vazante da maré com a rapidez dum riacho. Doces, num centro dum All  Garb de bifes, escrito para bifes, feito para bifes num país de cento e vinte e sete generais na reserva que tem dois submarinos encomendados para ensaiar tiro á sardinha em lata e umas novas panhards luso-austricas que já não são precisas para a guerra colonial onde deixamos  milhares de vidas e estropiados que hoje  estão esquecidos e recebem uma esmola de reforma pelos serviços prestados. Duvido que muito deste generalato tenha alguma vez escutado as kalachnikoves nas bolanhas da Guiné, nas curvas de Nambuangong ou na Mueda , mas são estes, (paradoxos de Einstein?) os beneficiários da pátria!   O mundo, como dizem hoje os quânticos, é realmente um sítio imprevisível!!!

  27 de Setembro de 2008  mealhadatemas.blog.com

 

 

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Monday, October 20, 2008

O COLAPSO DUM VERÃO

CRÓNICA 60 
 

O COLAPSO DE UM VERÃO

 

Ferraz da Silva

 

Este ano termal é para esquecer. Concessionária, Câmara e Freguesia deixaram o Luso ao abandono e a época balnear arrasta-se dolente e fraca. Vai acabar a contento dos autarcas que tudo fizeram para que isto acontecesse por não possuírem capacidade nem vontade e muito menos respeito pelas pessoas que, tal como eles, não recebem o dinheiro ao fim de todos os meses quer faça chuva ou sol mas, pelo contrário, tem que lutar arduamente pelo seu ganho e pelo satisfazer dos seus compromissos.

Um amigo meu aconselhou-me há dias a não escrever, não me meter mais nisto, a não criticar mais, a calar-me e deixar correr o marfim. Para não me chatear! Escutei-o mas não concordei. Pelo contrário, julgo que ao cidadão cabe um papel importante no contributo que possa dar no sentido de questionar, criticar ou participar numa democratização da democracia que neste momento não existe, já que o momento eleitoral se transformou num momento de enganos que tem por fim a tomada do poder e não o serviço a prestar á sociedade que dizem pretender servir.

Faço-o com os meios que melhor sei utilizar e faço-o porque aqui nasci, aqui vivo, aqui, quem sabe, hei-de ficar. Mas também pelo município, que me merece preocupação e respeito. Julgo que é exactamente por estar demasiado calado que o Luso e outras freguesias, não obtêm benefícios como deviam da Câmara, no caso concreto em apreço, o turismo que está em colapso.

Porque faz parte administrativa dum concelho que não entende, não quer entender o que é a freguesia do Luso em termos de potencialidades na sua actividade principal e quase única, que é essa, a turística, a hotelaria, a restauração. Nem a autarquia Junta de Freguesia, constituída pelos maiores idiotas (políticos entenda-se) do concelho, que não possui capacidade nem conhecimento para forçar uma estratégia de melhoramentos constantes, no sentido de trazer alguma coisa para a actividade e consequentemente para as pessoas que ainda vão sobrevivendo na terra a lutar contra a corrente por uma causa que se está praticamente a perder.

Á Câmara da Mealhada assaco, como tenho sempre assacado, a maior responsabilização no que ás termas diz respeito e um novo exemplo dessa total irresponsabilidade está na obra da remodelação da fonte, mas não da zona central da vila como era necessário. Ao ter optado por obras absurdas que não servem a ninguém e ao encaixotar a fonte em granito, pedra que não sendo da região, não tem grande cabimento, a câmara da Mealhada mais não faz que deitar dinheiro ao ar, mantendo o problema da zona central da vila. Pode alguém receber comissões da compra da pedra, pode-se perguntar, mas a verdade é que engranitaram uma fonte que, feita na presidência de Emidio Maranha, talvez fosse a mais conseguida das remodelações por que tem passado.

O conteúdo do projecto inicial apontava concretamente para a chamada quinta do Alberto e isso foi desenhado e apresentado em ante projecto e era de facto aquilo que o Luso precisava e precisa, mas, por questões umbilicais da câmara ou do seu presidente e também porque deixou de existir um vereador do Luso, facto derivado da mesma ignorância politica da junta de freguesia, o projecto foi alterado para a pior solução. Para agravar a situação, com uma total falta de sensibilidade e respeito para com a mesma freguesia, programaram tudo para o verão, época em que as pessoas do Luso têm possibilidade de ganhar o seu dinheiro.

Nada me admira desta Câmara, já que também a própria Mealhada costuma ser objecto dos seus congestionamentos gástricos, quer nos conflitos que não sabe resolver com os festejos carnavalescos, criando-os, quer no caso dessa excelente obra que é o Hospital da Misericórdia que tanta discussão deu por oposição autárquica, quer ainda nos arranjos do campo de futebol pagos com as promessas dum segundo estádio de futebol para a Pampilhosa. Tudo isto é ridículo e em tudo isto impera a falta de sentido do poder público e falta de equilíbrio, discernimento e capacidade.

Já o caso da actuação da Junta de Freguesia do Luso é diferente, não pode agir em directo porque não tem orçamento nem competências para obras de grande porte, mas pode e deve pressionar de forma consciente e constante a Câmara e os próprios organismos do Estado, no sentido de conseguir trazer á localidade algumas mais valias. O que não faz.

Mas foi o que aconteceu com o pavilhão, o parque de campismo, ou o centro de estágios, não por pressões da Junta de Freguesia que em vinte e cinco anos que tive de assembleia municipal nunca ouvi o seu presidente dizer fosse o que fosse, mas por outras vias e outros órgãos que felizmente conseguiram levar a sua avante e fazer dotar o Luso e simultaneamente o turismo, dessas estruturas. E poderíamos falar duma pousada de juventude, dum museu de hotelaria onde se guardassem as antiguidades do Luso e do Buçaco, dum campo de golf (já existiu um na cruz alta) , dum ordenamento da fonte de S. João , capaz de acabar  com a linha de engarrafamento que é vergonhosa para as termas, de pensar numa entrada com dignidade para a  vila , para não repetir a barragem , o spa , ou um arranjo decente da avenida do castanheiro que envergonha os autarcas locais.

A Junta de freguesia, mercê do acordo firmado há cerca de quinze anos entre a Câmara e a concessionária das águas, no mandato de Rui Marqueiro, recebe anualmente uma verba de dez mil contos, hoje suponho que cerca de doze mil. Feitas as contas, terá recebido já cento e cinquenta mil contos. Pergunto: onde está uma obra no Luso que se veja e que corresponda á envergadura daquela verba???

Neste caso particular do Luso, quer Câmara quer Junta tem de mudar de mentalidade.

O Luso não precisa de cantoneiros de excelência, mas sim de gente nova, dinâmica, com responsabilidade e massa critica capaz de pegar de frente os problemas da terra e são muitos, e esforçar-se por os resolver acabando com esta rotina de mediocridade politica de palmadinhas e de brutalidade a que, adormecidos, vamos dando guarida. Sei que posso incomodar alguma gente ao dizer isto, mas nunca fui pessoa de meias palavras para me escusar a dizer duas verdades.

É que assim, por esta via, tenham a certeza, o Luso fica cada vez mais morto! O que é mau para todo o município!

Luso, Setembro, 2008        

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